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IPERÓ SP

ESTADOS


Iperó

Iperó é um município brasileiro do estado de São Paulo. Localiza-se a uma latitude 23º21'01" Sul e a uma longitude 47º41'19" Oeste, estando a uma altitude de 590 metros. Sua população estimada em 2004 era de 22.390 habitantes.
A cidade de Iperó sedia o Centro Experimental Aramar, da Marinha do Brasil.


História Oficial

Um ponto turístico e marco da história é a Fundição Ipanema, berço da industrialização no Brasil.
A origem do nome Iperó é controvertida, mas é provável que advenha da etnia tupiniquim, responsável pela colonização do território antes da vinda dos colonizadores europeus (século XVI). Dessa forma, Iperó pode significar rio ("Y") dos portugueses ("Perós").
Essa versão é reforçada pela existência do Rio Iperozinho, importante afluente do Rio Sorocaba, onde foi instalada a Real Fábrica de Fundação de Ipanema, a mando do governador-geral Mem de Sá.
Na época do regime militar (1964-1985), logo após a emancipação política da cidade, um boato espalhado a partir do colégio EEPSG "Dr. Gaspar Ricardo Júnior" disseminou a versão (jamais confirmada) de que Iperó significaria "águas profundas e revoltas". Nos anos 70, outro boato teria ligado o nome da cidade ao pejorativo significado de "pau podre".
Muito embora exista uma famosa praia turística no Estado do Rio de Janeiro (Cabo Frio) chamada de "Dunas do Peró", e cujo significado é incontroversamente atribuído ao nome que os índios locais denominam os portugueses ("perós"), nenhuma versão do nome Iperó foi ainda reconhecida pela historiografia brasileira.
O território atual de Iperó está situado na antiga região em que a polêmica ordem do Rei Dom João VI, em 19 de agosto de 1817, criou a paróquia de São João Batista da Fábrica de Ferro de Ipanema. Por essa ordem régia, determinou-se a construção de uma capela onde hoje se situa a Fazenda Ipanema.
A iniciativa real provocou a ira do diretor da fábrica, Frederico Luiz Guilherme Varnhagem (pai de um grande historiador brasileiro, Adolpho de Varnhagem, o iperoense mais ilustre da história), que entendeu ser inconveniente a presença de uma igreja e, por consequência, de uma comunidade nas imediações de Ipanema. Na verdade, acreditava o diretor que a paróquia provocaria uma bandalheira, decorrente do corte de lenha para o consumo das famílias que iriam construir suas moradas em volta da capela.
Naquela época, a lenha era o mais importante combustível para a fábrica (altos fornos de ferro), e o diretor não queria reparti-la com o populacho. Não seria a primeira vez que os moradores daquela localidade seriam oprimidos por líderes despóticos, como a história mostraria no futuro.
Disposto a impedir a construção da capela, Varnhagem discutiu o assunto com o bispo Dom Mateus Abreu Pereira, para quem enviou um abaixo-assinado contrário à criação da paróquia. O movimento, porém, foi em vão: em 22 de fevereiro de 1820, o bispo determinou o cumprimento da ordem do rei.
Contrariado, o diretor da fábrica passou a proibir o corte de lenha e iniciou perseguições aos moradores do local. Resultado: em pouco tempo a comunidade começou a debandar para outras cercanias, dentre elas o então "campo largo" (Araçoiaba da Serra), e os atuais bairros de Bacaetava e Bela Vista (esta última, antigo posto de parada de bandeirantes).
Muito embora Campo Largo tenha sido escolhido para a edificação da nova igreja em 30 de outubro de 1823, a inauguração da Matriz só ocorreu dois anos depois da autorização, em 11 de novembro de 1825.
Esta situação permaneceu durante 32 anos, como Campo Largo na condição de bairro de Sorocaba. A Lei de nº 23, assinada pelo presidente da Província de São Paulo, em 1857, deu autonomia ao local, que ganhou a condição de município. O nome, Araçoiaba da Serra, veio mais tarde, em 30 de novembro de 1944, em homenagem ao morro de Araçoiaba (chamado pelos iperoenses de "Morro Ipanema"). Por ironia do destino, esse marco geográfico pertenceria exclusivamente ao futuro município de Iperó, para a tristeza daqueles cidadãos de Araçoiaba. Até hoje, é comum aos moradores de Araçoiaba se referirem tanto ao morro quanto à Fazenda Ipanema, ou mesmo ao parque florestal, como "patrimônios de Araçoiaba", o que nunca foi verdade.
Em 1927, a construção da Estrada de Ferro Sorocabana trouxe dezenas de famílias de operários ferroviários para as terras mais baixas (e menos valorizadas) do atual município de Iperó, doadas por fazendeiros locais, o que alterou profundamente a geografia humana do território.
Historicamente, enquanto as regiões de Bacaetava, Fazenda Ipanema e adjacências continuavam sob a influência política de Campo Largo, o novo núcleo ferroviário crescia sob influência do pujante Município de Boituva, cujo desenvolvimento sempre esteve associado ao movimento tropeirista. Esse movimento, ao contrário do que muitos acreditam, nâo foi importante em Iperó. Com uma econômia agrária diversificada e com uma classe média formada por fazendeiros e comerciantes, não demoraria para que Boituva se desenvolvesse rapidamente.
Em 1937, o distrito de Boituva, pertencente ao município de Porto Feliz, é emancipado. Com isso, toda a área pertencente ao atual município de Iperó é anexado ao novo município de Boituva.
Em 1944, o núcleo ferroviário de Iperó (batizado à época como Vila de Santo Antonio, imortalizada na obra "Éramos Seis", de 1943, por Maria José Dupret) teve seu status alterado para Distrito de Paz, ainda vinculado ao município de Boituva.
Finalmente, no início dos anos 60, iniciou-se um movimento popular, liderado por comerciantes e membros da igreja Católica da Vila de Santo Antonio, em favor da emancipação da Vila junto à Boituva.
Esse movimento deixou de ser atendido pelo governador Ademar de Barros, em 1963, por uma razão muito simples: a Constituição Estadual da época exigia a realização de um plebiscito, o que ainda nâo tinha sido feito pelos afoitos iperoenses.
Em 1964, finalmente é realizado um plebiscito no vilarejo, com ampla vitória pela emancipação.
Em 21 de março de 1965 é promulgada a lei estadual que emancipa o Município de Iperó. Esse novo município, formado originariamente pelo novo núcleo ferroviário, traz consigo as centenárias povoações da Fazenda Ipanema, bairro de Varnhagem e Bacaetava. Porém, até meados dos anos 90, o antigo núcleo ferroviário não se preocupou em integrar-se com as regiões mais longinquas do município, até que se algumas personalidades do novo distrito de George Otterer (nas imediaçôes da antiga Fazenda Ipanema) iniciaram um novo movimento pela emancipação daquele distrito, sem sucesso.
A vinda de centenas de famílias do Movimento Sem Terra (MST) à Iperó, em 1992, acelerou esse processo de integração ao centro do município, fazendo com que o novo bairro de George Oetterer tivesse um crescimento populacional e urbano acelerado, com enormes problemas sociais.
Alguns anos antes, em meados dos anos 80, investimentos militares patrocinados pelo governo Sarney completou a construção do Centro Experimental de Aramar, situado entre os bairros de George Oetterer, Cagerê e Corumbá. Esse centro trouxe uma nova dinânimica à cidade, principalmente com a nova alteração da geografia humana do município: dezenas de famílias de fuzileiros navais cariocas passaram a morar no município, integrando-se à comunidade local no que ficou conhecido como "praça da Marinha", próximo à prefeitura.
No final dos anos 90, a decadência da ferrovia e o corte dos investimentos militares trouxe a maior crise financeira da história do município, que culminou na moratória do governo Benedito Valário ao pagamento de parte dos funcionários e algumas contas públicas. A cidade ainda se recupera, passados quase 10 anos da moratória.
Nos últimos 25 anos, Iperó foi governada quase que exclusivamente por Marcos Andrade(três mandatos) e Benedito Valário (dois mandatos), à exceção do último prefeito, Marcão da Casquinha. Em 2008, haverá um dos maiores embates da história política contemporânea da cidade, com o confronto entre Marcos Andrade e Marcão da Casquinha.


A política iperoense

Nas últimas décadas deu-se a consolidação dos grupos políticos iperoenses através da reunião em torno de lideranças sem raízes em partidos ou ideologias, a não ser pelo grupo do PT local. O grupo mais antigo é o que se articulou em torno do controvertido ex-prefeito Marcos Andrade. Herdeiro político do primeiro prefeito da cidade (Zé Borba), esse grupo é considerado por muitos a melhor representante da direita local conservadora, sem representantes na juventude ou nas classes populares. Marcos Andrade sempre esteve vinculado a partidos de direita, desde a antiga Arena, passando pelo PDS de Paulo Maluf, PFL de Antonio Carlos Magalhães e, posteriormente, ao DEM. Sempre foi o cabo eleitoral local de Maluf, Reynaldo de Barros, e outros representantes dessa linha política. Foi também cabo eleitoral de Fernando Collor de Mello. O grupo sofreu uma importante perda de uma de suas lideranças, com o falecimento do irmão de Marcos Andrade (Arnaldo Andrade), ocorrida em janeiro de 2004. O segundo grupo mais antigo é dos antigos fundadores do PMDB, e ex-membros do MDB, herdeiros do falecido ex-prefeito Paula Leite e de Felício Eid. É formado por membros de vários partidos, tais como Milton Biscaro, Giba, Valdir Paula Leite, Silvano Mioni, dentre outros. Atordoados com o inexplicável apoio de seu líder Bira Capelari ao arqui-inimigo Marcos Andrade na eleição de 2000, esse grupo perdeu projeção aos poucos, até ter um papel segundário na política local. Uma nova geração de filhos desses políticos (como Márcio Sujeira e Fernando Paula Leite) ensaiam ressuscitar o apoio do eleitorado iperoense. O terceiro grupo mais antigo é o formado em torno do ex-prefeito Benedito Valário. Originariamente composto por aposentados da antiga FEPASA e outras famílias do centro urbano de Iperó, esse grupo teve algumas defecções para outros grupos rivais nos últimos anos. Campeão de votos nas duas vezes em que foi eleito, Benedito Valário ficou em 3o. lugar nas últimas eleições, atrás justamente de Marcão (eleito) e de Marcos Andrade. Ao que tudo indica, um dos filhos de Valário (Nenão) pode ser o sucessor natural da família. O grupo do atual prefeito Marcão da Casquinha forma o PSDB. Iniciado pela família Aleixo em meados dos anos 90, o PSDB local teve suas raízes na aristocracia iperoense, sem grande representatividade eleitoral, até que juntou-se ao grupo o empresário Marcão. Aglutinando uma ampla coalisão partidária, que foi da esquerda à centro-direita, esse grupo impingiu a maior derrota política sofrida pelo ex-prefeito Marcos Andrade até hoje. Marcos Andrade foi derrotado em sua tentativa de releição, em 2004, em pleno exercício do cargo e com a máquina administrativa em seu favor. Finalmente, o grupo mais novo é o formato junto ao núcleo do PT de Iperó. Originariamente formado por trabalhadores, sem-terras e famílias tradicionais, recentemente foi aumentado por um grande contingente de estudantes que, nos últimos anos, iniciou um interessante trabalho educacional. Através desse trabalho em sua nova sede (situado no antigo casarão dos Domingues, no centro de Iperó), foi formado um sólido curso pré-vestibular gratuito. Além disso, são feitas festas e jantares, com entrada aberta a toda a comunidade, com preços populares. Esse grupo fez o primeiro vereador do PT de Iperó na última gestão: o jovem Lino de Barros. Proporcionalmente, Iperó tem dedicado à legenda do PT a maior proporção de votos quando comparado a todas as demais cidades da região. Tal fato foi registrado em 2006 pelo jornal Cruzeiro do Sul, através da manchete "Iperó: a cidade vermelha".


Geografia

Possui uma área de 170,9 km².


Demografia

Dados do Censo - 2000
População Total: 18.384
" Urbana: 12.649
" Rural: 5.735
o Homens: 9.844
o Mulheres: 8.540
Densidade demográfica (hab./km²): 107,57
Mortalidade infantil até 1 ano (por mil): 13,70
Expectativa de vida (anos): 72,42
Taxa de fecundidade (filhos por mulher): 2,97
Taxa de Alfabetização: 91,80%
Índice de Desenvolvimento Humano (IDH-M): 0,779
" IDH-M Renda: 0,682
" IDH-M Longevidade: 0,790
" IDH-M Educação: 0,865
(Fonte: IPEADATA)
Hidrografia
" Rio Sorocaba
Rodovias
" SP-280





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