Main menu:
INVESTIMENTO
Grau de investimento no Brasil: perspectivas e riscos 21/05/2008
A mudança de classificação de risco do Brasil para o grau de investimento por parte de uma importante agência deu margem a grandes comemorações pela maior parte dos economistas e analistas de mercado. O bom humor derivou, em grande parte, por conta da possibilidade de empresas e do setor público poderem captar recursos externos a taxas de juros internacionais inferiores às cobradas anteriormente.
Da mesma forma, o grau de investimento possibilita de forma concreta um maior acesso por parte de fundos de investimentos estrangeiros ao país, ampliando sua parcela de alocação de recursos para o Brasil, uma vez que a menor percepção de risco proporciona maior espaço para alocação nesse momento. Nesse sentido, o grau de investimento abre uma gama de possibilidades de investimentos no País, com grandes potenciais de retorno para a economia brasileira.
A despeito dos aspectos favoráveis mencionados, existem alguns pontos que merecem ser ressaltados no âmbito do grau de investimento que afetam a economia brasileira em diferentes dimensões, não apenas em nível macroeconômico, mas também em nível microeconômico.
Nesse contexto, sob a ótica macroeconômica, a melhoria da classificação de risco pode ser traduzida em um potencial aumento do ingresso de moeda estrangeira no País de diferentes formas. Essa entrada de dólares representaria novas pressões por apreciações da moeda brasileira frente às demais moedas. Isso significaria uma potencial nova rodada de perda da competitividade da economia brasileira de produtos comercializáveis com o exterior frente aos produtores de outros países. Esse cenário agravaria a condição de alguns segmentos que já convivem de forma cada vez mais acirrada com a concorrência externa nos seus mercados, significando uma perda de espaço da produção nacional nos mercados externo e doméstico.
Esse processo tende a ser exacerbado em um quadro de elevação da taxa doméstica de juros, à medida que o diferencial de taxas existentes entre o mercado nacional e internacional é ampliado. Em outras palavras, uma vez que a política monetária tende a ser contracionista mais adiante (tendo em vista o cenário pressionado da inflação doméstica), com elevações da meta da taxa básica de juros (Selic) por parte do Banco Central, a perspectiva de ingresso de recursos externos para aplicação em renda fixa tende a crescer, devendo agravar o cenário de apreciação do real frente às demais moedas verificado.
Essa dinâmica tende a piorar a condição de setores mais expostos à concorrência externa, como é o caso da indústria nacional. Não sem razão, o governo recentemente editou medidas no sentido de estimular o investimento e a produção na indústria, mas esse esforço pode dar em nada, uma vez que um dos preços fundamentais para o setor (taxa de câmbio) encontra-se seriamente desalinhado.
De maneira curiosa, a mudança na classificação de risco aconteceu em um momento em que as contas externas brasileiras já apontavam para uma inversão, que deve ficar cada vez mais visível nos próximos meses. O resultado em conta corrente brasileiro, que foi superavitário em 2007, deve ficar novamente negativo neste ano e o país deverá retomar mais uma vez o ciclo de déficit em conta corrente com financiamento externo, repetindo o fenômeno registrado na segunda metade da década de 1990, que se encerrou na crise cambial de 1999.
A somatória desses fatores indica que o Brasil entra em uma nova condição, mas com problemas similares aos do passado. A forte apreciação da moeda brasileira frente às demais moedas coloca mais uma vez em posição delicada a posição das contas externas do país e passa a afetar vários setores nacionais expostos à concorrência externa.
Da mesma forma, o grau de investimento tende a amplificar esse processo, indicando para uma deterioração das contas brasileiras nos próximos anos. Nesse sentido, existe algum grau de conforto para o governo brasileiro em face da posição das reservas internacionais do país e do ambiente de liquidez internacional, que ainda se mostra favorável. Os problemas podem surgir, nesse contexto, em um quadro de rápida reversão de liquidez internacional, que poderá atingir o país em um contexto de contas externas fragilizadas.
Grau de investimento no Brasil: perspectivas e riscos
A mudança de classificação de risco do Brasil para o grau de investimento por parte de uma importante agência deu margem a grandes comemorações pela maior parte dos economistas e analistas de mercado. O bom humor derivou, em grande parte, por conta da possibilidade de empresas e do setor público poderem captar recursos externos a taxas de juros internacionais inferiores às cobradas anteriormente.
Da mesma forma, o grau de investimento possibilita de forma concreta um maior acesso por parte de fundos de investimentos estrangeiros ao país, ampliando sua parcela de alocação de recursos para o Brasil, uma vez que a menor percepção de risco proporciona maior espaço para alocação nesse momento. Nesse sentido, o grau de investimento abre uma gama de possibilidades de investimentos no País, com grandes potenciais de retorno para a economia brasileira.
A despeito dos aspectos favoráveis mencionados, existem alguns pontos que merecem ser ressaltados no âmbito do grau de investimento que afetam a economia brasileira em diferentes dimensões, não apenas em nível macroeconômico, mas também em nível microeconômico.
Nesse contexto, sob a ótica macroeconômica, a melhoria da classificação de risco pode ser traduzida em um potencial aumento do ingresso de moeda estrangeira no País de diferentes formas. Essa entrada de dólares representaria novas pressões por apreciações da moeda brasileira frente às demais moedas. Isso significaria uma potencial nova rodada de perda da competitividade da economia brasileira de produtos comercializáveis com o exterior frente aos produtores de outros países. Esse cenário agravaria a condição de alguns segmentos que já convivem de forma cada vez mais acirrada com a concorrência externa nos seus mercados, significando uma perda de espaço da produção nacional nos mercados externo e doméstico.
Esse processo tende a ser exacerbado em um quadro de elevação da taxa doméstica de juros, à medida que o diferencial de taxas existentes entre o mercado nacional e internacional é ampliado. Em outras palavras, uma vez que a política monetária tende a ser contracionista mais adiante (tendo em vista o cenário pressionado da inflação doméstica), com elevações da meta da taxa básica de juros (Selic) por parte do Banco Central, a perspectiva de ingresso de recursos externos para aplicação em renda fixa tende a crescer, devendo agravar o cenário de apreciação do real frente às demais moedas verificado.
Essa dinâmica tende a piorar a condição de setores mais expostos à concorrência externa, como é o caso da indústria nacional. Não sem razão, o governo recentemente editou medidas no sentido de estimular o investimento e a produção na indústria, mas esse esforço pode dar em nada, uma vez que um dos preços fundamentais para o setor (taxa de câmbio) encontra-se seriamente desalinhado.
De maneira curiosa, a mudança na classificação de risco aconteceu em um momento em que as contas externas brasileiras já apontavam para uma inversão, que deve ficar cada vez mais visível nos próximos meses. O resultado em conta corrente brasileiro, que foi superavitário em 2007, deve ficar novamente negativo neste ano e o país deverá retomar mais uma vez o ciclo de déficit em conta corrente com financiamento externo, repetindo o fenômeno registrado na segunda metade da década de 1990, que se encerrou na crise cambial de 1999.
A somatória desses fatores indica que o Brasil entra em uma nova condição, mas com problemas similares aos do passado. A forte apreciação da moeda brasileira frente às demais moedas coloca mais uma vez em posição delicada a posição das contas externas do país e passa a afetar vários setores nacionais expostos à concorrência externa.
Da mesma forma, o grau de investimento tende a amplificar esse processo, indicando para uma deterioração das contas brasileiras nos próximos anos. Nesse sentido, existe algum grau de conforto para o governo brasileiro em face da posição das reservas internacionais do país e do ambiente de liquidez internacional, que ainda se mostra favorável. Os problemas podem surgir, nesse contexto, em um quadro de rápida reversão de liquidez internacional, que poderá atingir o país em um contexto de contas externas fragilizadas.
Aumento de investimento estrangeiro surpreende Brasil, diz Financial Times
O Brasil está se surpreendendo com o aumento dos investimentos estrangeiros, segundo artigo publicado nesta sexta-feira pelo jornal britânico Financial Times.
O jornal cita o anúncio de compra de duas minas de minério de ferro da MMX pela Anglo American por US$ 5,5 bilhões e o anúncio recente de investimentos de US$ 1 bilhão da Symetrix, uma empresa americana de chips, para afirmar que o país tem atraído mais investimentos estrangeiros.
"O fluxo de investimento estrangeiro direto está aumentando", afirma o Financial Times. "Por muito desta década, as atrações brasileiras foram ofuscadas pelas dos outros gigantes dos mercados emergentes, China, Índia e Rússia - até agora, o país dos Bric que cresce mais rapidamente. Mas, nos últimos meses, o Brasil começou a melhorar."
O artigo cita ainda dados publicados na semana passada pela Unctad (órgão das Nações Unidas para o desenvolvimento), que mostram que o Brasil recebeu duas vezes mais investimentos estrangeiros diretos do que a Índia em 2007 e que cresceram a uma taxa mais rápida do que na China ou na Rússia.
"O fluxo total de US$ 37,4 bi foi mais do que o dobro da quantia atraída pelo Brasil em 2006 e, pelo menos em termos nominais, mais do que o fluxo atraído no início desta década, quando a campanha de privatização estava a todo o vapor."
O Financial Times afirma que o crescimento surpreendeu até os brasileiros. Na China, o fluxo caiu, enquanto, na Rússia, cresceu 70%.
Explicação
O artigo pergunta por que o Brasil está se saindo tão bem e afirma que a riqueza em recursos naturais, cuja demanda mundial tem crescido, é parte da explicação.
"O sucesso do investimento recente, no entanto, é muito mais amplo", diz o texto. "Dados do Banco Central para os primeiros 11 meses de 2007 mostram que mais de um terço do fluxo de investimentos foram direcionados para a indústria manufatureira."
Além disso, o país atraiu investimentos no setor de mineração, e o etanol atraiu bilhões, diz o Financial Times, mas o jornal também atribui o aumento do fluxo à melhora das perspectivas macroeconômicas no Brasil.
"Setores orientados para o mercado doméstico, como a construção, estão crescendo", acrescenta o jornal.
"O crescimento, que chegou a 5% em 2007, é desapontador se comparado ao da China ou da Índia, mas investidores estão cada vez mais confiantes de que uma demanda doméstica maior e o aumento das taxas de formação de capital vão permitir ao Brasil sobreviver relativamente ileso a um desaquecimento na economia americana."
Mas o diário britânico afirma que mesmo alguns investidores com interesses no Brasil temem os obstáculos para o crescimento, citando o chefe da GE para a América Latina, Marcelo Mosci, que teria dito que o fracasso em melhorar as condições de negócios no Brasil, por meio de reformas trabalhistas, entre outras, vai criar problemas no futuro.
Segundo o jornal, no entanto, no momento, isso não está prejudicando o entusiasmo. O artigo conclui citando o economista Emy Shayo, do Bear Stearns, que teria dito: "As pessoas estão totalmente apaixonadas pelo Brasil. Investidores vêm aqui e acreditam que este é o melhor país do mundo."
Brasil 'é centro financeiro da América Latina', diz Wall Street Journal
O Brasil representa hoje o centro financeiro da América Latina, afirma uma reportagem publicada nesta quarta-feira no diário financeiro americano The Wall Street Journal.
A reportagem cita os ganhos do índice Bovespa que, neste ano, acumulou rentabilidade de 72% em dólar e foi favorecido “pelos fortes ganhos do Real frente à moeda americana”.
“Companhias de recursos naturais como a mineradora Vale do Rio Doce estão entre as grandas vencedoras e os investidores devem ficar de olho no setor de varejo e no crescente setor bancário. O Banco Itaú fechou o ano com valor de mercado próximo ao do Deutsche Bank”, cita a reportagem.
O diário financeiro ainda destaca que o crescimento de 5,3% do PIB brasileiro “superou expectativas”, mas relembra que o Banco Central, “diante de preocupações com a inflação suspendeu os cortes da taxa Selic, estagnada nos 11,25% desde setembro”.
Ganhos
A reportagem ainda faz um balanço do desempenho dos mercados latino-americanos, enfatizando que nos últimos cinco anos eles foram agitados por ganhos de dois dígitos, impulsionados pelo crescimento da economia global e das exportações de commodities e bens alimentícios.
“O fortalecimento da demanda local pelo setor imobiliário e automobilístico marcou a emergência de uma nova classe de consumidores latino-americanos e o crescimento de um novo grupo de títulos domésticos. Em 2008, espera-se que a demanda doméstica por carros, casas, e serviços financeiros supere a demanda por minerais e petróleo”, afirma Geoffrey Dennis, analista do Citigroup entrevistado pelo WSJ.
O diário financeiro projeta que os mercados latino-americanos cresçam de 20% a 25% este ano se as exportações de commodities para países como Índia, China e Estados Unidos continuarem num ritmo ascendente.
“Mas os riscos que se apresentam em 2008 são ao mesmo tempo maiores do que nos outros anos. Se os Estados Unidos entrarem numa recessão, afetando a economia global, há uma grande chance de que os mercados latino-americanos declinem”, avalia a reportagem.