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IMIGRAÇÃO
Aqui temos algumas informações úteis sobre Imigrantes Italianos no Espirito Santo:
AFONSO CLAUDIO
Em Afonso Cláudio, Iniciou-se, em 1885, a colonização italiana, com a chegada de Valentim Perozzini , que se instalou no lugar, hoje, São Luis de Miranda. Casou-se com Rosa Dominicini. O casal teve oito filhos. Também, não houve propriamente imigração para esse município. Vieram os italianos e suas famílias de Alfredo Chaves, Castelo e Itaguaçu.
Segundo edital de Imposto Sobre Indústria e Profissão, em 1893, existiam italianos, em Afonso Cláudio, em localidades pertencentes, agora, ao Municíopio de Itaguaçu.
Dentre as numerosas famílias com sobrenomes italianos, portanto descendentes, anotamos as seguintes:
Adami
Afri
Ambrozini
Andrioli
Azeredo-Cola
Barbieri
Baroni
Bassani
Bergamaschi
Berto Mouro
Bissoli
Bonoli
Borloti
Borneli
Botão
Brambila
Bravin
Briddi
Brioschi
Bussolar
Caliman
Camarela
Campores
Canal
Caninoti
Carnieli
Casagrande
Cazotti
Chiabai
Cianeli
Coser
Covre
De Luca
De Martin
Dela Costa
Delamerlina
Delboni
Delpupo
Demoner
Deorce
Deriz
Dominicini
Enochi
Falcheto
Fejoli
Ferrari
Ferrari
Ferro
Fioretti
Fioroti
Forti
Frederici
Frizzera
Furlan
Galazzi
Galvani
Gazelli
Gueler
Guisso
Guttieri
Magnoni
Mareto
Martinuzo
Mascarelo
Mazzoco
Mazzoni
Mercandelli
Meroto
Moita
Negri
Negrini
Ortoloni
Padovani
Pagoto
Palassi
Pani
Passani
Passon
Pasti
Pegnor
Perozini
Petroneto
Piccinati
Pretti
Primo
Punoli
Rebuli
Rizzi
Ronchetti
Ronchi
Saiter
Sarti
Saviato
Scardua
Schoviato
Serafin
Tardini
Tecianelli
Toniato
Tonolo
Vinha
Virginio
Vittorio
Zambom
Zampieri
Zandonade
Zanelato
Zanon
Zorzal
Zualdi
ALFREDO CHAVES
Em Alfredo Chaves, entraram os italianos em três levas principais: de 1877, já referida, de 1878 e de 1896.
José Togneri, mais tarde, já firmado no Espírito Santo, viajou ao Rio de Janeiro e encontrou-se com Lisandro Nicoletti, empregado numa casa de objetos sacros, com o ordenado de 500$000, por ano. Admirou-lhe a atividade e o trouxe para Alfredo Chaves, com melhor ordenado. Estabeleceu- -se em Matilde, com importante casa comercial. Em 1900, mudou-se de Vitória. Construiu um dos prédios maiores e mais bonitos daquele tempo, junto ao Edem-Parque, à beira-mar, onde residia com a família, e tinha seu escritório de Importação e exportação de gêneros alimentícios e de café.
A 16 de março de 1973, A Gazeta registrava o encontro de duas garrafas, nas escavações do prédio para a construção de um novo edifício. Uma garrafa continha um Jornal de 23 de maio de 1906; a outra. um cartão da firma Lizandro Nicoletti.
Em 1910, Lizandro fundou a Fábrica de Tecidos, com 2.000 contos de réis, em Jucutuquara. Nascido, a 13 de fevereiro de 1857, na Itália, veio para o Brasil, em 1870. Chegou ao Rio de Janeiro, com cinco liras, no bolso. Faleceu, na Vitória, a 5 de Junho de 1918,e deixou dez filhos, todos espírito-santense e continuadores da sua atividade e sua dedicação ao Espírito Santo.
Em Alfredo Chaves, nasceu Ludovico Persici, em 1898, filho de Erasmo Persici, Imigrante Italiano que aprendeu o ofício de relojoeiro e abriu pequena loja.
Ludovico, desde pequeno, sabia fazer tudo e consertava tudo. Quando o menino desistiu dos estudos, no terceiro ano primário, passou a trabalhar na relojoaria, porém contrariado com o rigor paterno! Eram naturezas diversas. Em 1910, Erasmo Persici mandou o filho para o Rio de Janeiro, a fim de aperfeiçoar-se na famosa relojoaria do espanhol Manuel Palmerio. Aí, ficou três anos e tão inteligente mostrou-se que o chefe decidiu levá-lo para estudar na Europa. .Alguém avisou Erasmo, o pai, do que se passava e o resultado foi a volta de Ludovico ao lar, onde nunca foi compreendido, apesar do trabalho na oficina, substituindo, ou suplantano, Erasmo. Premido pela situação doméstica, nosso herói fugiu três vezes de casa. Na segunda, a família viu-se obrigada a transferir-se para Castelo, porque Ludovico não mais suportava Alfredo Chaves. Na terceira fuga, já completamente desavindo com o pai, Ludovico foi ganhar a vida percorrendo todo o Espírito Santo, realizando toda a sorte de serviços e consertos de relógios e máquinas.
Ludovico Persici casou-se, em 1923, e fixou-se em Conceição do Castelo, onde inventou uma interessante máquina cinematrográfica: filmava, revelava e projetava. Era um engenho, ou melhor, máquina revolucionária, e seu inventor um dos pioneiros do cinema no Brasil.
Associado ao sogro, Ludovico teve um cinema, em Conceição do Castelo.
Cinco anos depois, foi tentar a vida em Belo Horizonte, com sua máquina e a esperança de ser melhor compreendido. Ninguém mais no Espírito Santo, lembrou-se de Persici -o maníaco -até que, em 1973, Alex Viany, para escrever a História do Cinema no Brasil, ao ter conhecimento de uma referência ao inventor, resolveu fazer pesquisas para situá-lo no seu livro.
Em Belo Horizonte, Ludovico, ajudado sempre pela mulher Elisa, Inventou uma máquina de ginástica, semelhante a uma bicicleta. Mas, não encontrou a compreensão que precisava. Ficou ainda mais introvertido. Amargurado!
Em 1935, faleceu Erasmo. Ludovico regressou a Conceição do Castelo, para encarregar-se da joalheria.
Diz, com razão, Alex Viany que o grande erro da vida de Ludovico , foi não ter ido para a Europa, onde teria campo certo para desenvolver-se.
No Castelo, fez diversos filmes, dentre os quais um documentário do lugar. Desgostoso e cada vez mais arredio, faleceu, em 1972. E suas invenções, dentre as quais a máquina cinematográfica, desapareceram... Ele, porém, ficará, na História do Cinema Brasileiro.
Dentre as numerosas famílias com sobrenomes italianos, portanto descendentes, anotamos as seguintes:
Basseti
Bellon
Binela
Bissoli
Bortolei
Bottechia
Bravin
Brunero
Calenti
Catelon
Caus
Cavati
Cesini
Cocato
Colodetti
Dada
De Boni
De Nardi
Delaporto
Delorme
Donatella
Favato
Ferrarini
Fiorin
Fornazieri
Fragonassi
Fregera
Furlan
Guerini
Guinoni
Juriato
Legera
Magnago
Malacarne
Mariani
Meneghelli
Merizio
Meroto
Nalesco
Natal
Orlandi
Paganini
Partelli
Passinato
Pavesi
Pensin
Persici
Piancoli
Pilon
Pim
Pinom
Piovezan
Poruzzi
Possali
Pulini
Puppin
Reversi
Rosalem
Salvador
Satori
Savergnini
Seschin
Simoni
Stefanon
Togneri
Tomasi
Tonani
Zanella
Zucolato
ANCHIETA
Em Anchieta, localizamos as seguintes famílias:
Bagatelli
Ballarini
Beni
Bergami
Boreschi
Bronchi
Campi
Cavati
Colombi
Guiri
Isoton
Istori
Lamera
Mantovanelli
Marchesi
Mazzeta
Mesadri
Minelli
Moronari
Morosini
Paganini
Pelanchini
Personelli
Pimbini
Pinizani
Pompermayer
Puton
Rauta
Rizeri
Tonani
Uocelli
Vizzoni
Zanchi
Zanotti
BAIXO GUANDU
Em Baixo Guandu, entraram os italianos, em 1866, pela iniciativa do Sr. Francisco Vieira de Carvalho Milagres. A Província do Espírito Santo, de 2 de junho de 1866, noticiava que o Sr. Carvalho Milagres escrevera ao seu amigo Guilherme Frederico, anunciando a partida de Genova, com quarenta contratados. Dias depois, chegava, de fato, ao Rio de Janeiro, com quarenta italianos, para suas terras no Rio Doce (05/06/1866).
O fazendeiro e colonizador Francisco Vieira de Carvalho Milagres voltou à Europa, em 1894, a fim de trazer mais trabalhadores para suas terrsa. Chegaram os imigrantes, no Matteo Bruzzo, conforme o noticiário do Estado do Espírito Santo, de 8 de dezembro do mesmo ano. Seguiram, dia 10, para Rio Doce, e, de lá, tomaram seu destino, onde até hoje, encontram-se seus descendentes.
Os primeiros imigrantes vieram no Maria Pia. E, dos colonos do Sr. Carvalho Milagres, que foram pa sua fazenda Serra, podemos citar as seguinte famílias:
Avanza
Bergamaschi
Bertini
Binda
Canalli
Castiglioni
Dal Col
Dala Capitani
Fioretti
Gabrieli
Galielli
Gariolli
Lazzanni
Maggioni
Milani
Moratti
Pavan
Peroni
Pinetti
Pinon
Pirola
Piscinalli
Pissignato
Sala
Sergamalias
Tonato
Tosi
Ventura
Venturelli
Vicentini
Viola
Zela
Zorzal
CACHOEIRO DO ITAPEMIRIM
Em Cachoeiro do Itapemirim, a imigração Italiana ter-se-ia Iniciado em 1886, mais ou menos, e recruscedeu a partir de 1888. Entretanto, já em 1884, existiam italianos na Vila, chegados avulsos e, talvez, espontaneamente.
Segundo a Sra. Eugenia Volpato, que veio em 1888, ela, seus pais, oito irmãos e o avô, embarcaram em Genova, no vapor Mario. Viagem péssima, sem nenhum conforto, prejudicada com o desarranjo das máquinas, em alto mar!... Quase um naufrágio!... Na sua família, vinha um ancião de noventa anos. Atacados de sarampo, foram recolhidos ao hospital, quando chegaram a Vitória, após trinta e três dias de viagem. Chegaram a 1º de janeiro de 1889.
O chefe da família, Domenico Volpato, procurou logo emprego ou trabalho, para melhora da situação. Ganhava oitenta centavos diários, dinheiro forte.
Destinavam-se estes imigrantes e outros da relação abaixo, a Cachoeiro do Itapemirim. Viajaram, por mar, até a Barra do Itapemirim; depois, a pé rumo à cidade, com o velho nonagenário e crianças até dois anos!... Os que destinavam a fazenda Monte Líbano foram transportados em carros-de-bois e recebidos com todos os recursos e o melhor tratamento, para o início da vida do Brasil. Estabeleceram-se ali as famílias:
Agostinho Scatamburlo
Ângelo Matiello
Antonio Galiazzo
Domenico Volpato
Giorgio Stefanato
Giuseppe Lugatto
Pascoal Meiatto
Vitório Campagnaro
Em 1894, vieram novos imigrantes para a mesma região, fascinados pelas felizes dos patrícios, Integrados já na vida do Brasil. Chegaram nesse ano, e dentre essas novas famílias, destacaram-se os:
Bremede
Fardim
Maitan
Tramontini
Desta vez, subiram em pranchas, para Cachoeiro. Já existia, então, Hospedaria de Imigração, na cidade, onde os imigrantes se recolheram, até que os carros-de-bois viessem buscá-los.
Todos esses imigrantes viajaram da Itália, em consequência da autorlzação passada a Antonio de Sousa Monteiro, a 11 de julho de 1888, pelo Ministério da Agricultura, para que recebesse vinte famílias italianas em suas terras. Antonio Monteiro era o primogênito de Francisco de Sousa Monteiro e Henriqueta Rios de Sousa, fundadores e proprietários de Monte Líbano. Assumiu a direção da fazenda, após a morte do seu genitor, a 2 de abril de 1887.
A colônia particular do Monte Líbano progrediu. Alguns colônos juntaram suas economias e compraram terras, onde se estabeleceram, como, por exemplo, Domenico e Angela Volpato, na Cobiça. Eram de Treviso, na Itália. Aliás, essa família conquistou logo a simpatia dos fazendeiros, que tomaram a jovem Eugenia Volpato para o serviço doméstico da casa-grande. Tornou-se querida das moças da casa.
Atualmente, poucos descendentes de Domenico e Angela Volpato dedicaram-se agricultura. São militares, médicos, engenheiros, odontólogos, advogados, professores e acadêmicos, os mais novos. E a propriedade da Cobiça, foi vendida. Aí o velho Volpato havia construído um engenho de fubá, todo de madeira, e que ainda existe. Aliás, Domenlco Volpato era especialista em construção de barcos e tonéis, para depósito de aguardente.
Conta-se que, quando os Volpato estavam no Monte Líbano chegou o órgão, encomendado da Europa, destinado à matriz do Senhor dos Passos, no Cachoeiro, construída pela família Sousa Monteiro. Estava, porém, desafinado. E não havia quem o consertasse. Logo, o jovem Vitório, filho de Domenico, embora sem conhecimento de música, ofereceu-se para resolver o caso, então difícil. E conseguiu realizar o trabalho. Além disso, compôs a música da inauguração do órgão, e que foi cantada por ele e os irmãos.
Vitório Volpato exerceu a profissão de agrimensor, apurada no convívio com os engenheiros, que passavam na cobiça, em trabalhos da Estrada da Estrada de Ferro Sul Espírito Santo.
Entre os italianos do Monte Líbano, Tramontini – o velho – era hortelão, jardineiro, sacristão e remador. Tinha dois filhos: Francisco, marcineiro e carpinteiro. Fazia os esquifes, em caso de mortes na fazenda, onde havia uma provisão de setineta preta, com estrelas douradas, fechaduras, alças, dobradiças e galões dourados. Francisco preparou o esquife do Cel. Antonio Monteiro. O outro filho de Tramontini era José, cego, educado no Instituto, no Rio de Janeiro. Pianista admirável. Tinha, no quarto, um espelho, diante do qual amarrava a gravata. Antes, passava a mão, no cristal. Confortadora ilusão!...
Mas, além da colônia do Monte Líbano, outros núcleos de italianos se formaram no Município de Cachoeiro de Itapemirim: Burarana, por exemplo, lugar notável pela original Pedra da Ema.
Seus fundadores foram Giuseppe Gava e Luigi Salvatore, em 1913. Reuniram outros colonos, que ali se fixaram, como Luigi Gava, Antonio Batistini, João Grillo, Giuseppina Perim e Maximiliano Tedesco. Vieram de Matilde.
O decreto nº. 16, de 2 de junho de 1892, havia criado, em Cachoeiro, o lugar de encarregado da recepção, do agasalho, tratamneto médico e chefe da hospedaria, para a distribuição de imigrantes.
Além das famílias acima relacionadas, registremos, ainda em nossas pesquisas:
Agostini
André
Atoé
Barbieri
Bardi
Barelli
Bolsan
Bressan
Brum
Cagnin
Cantelli
Canzian
Catalvo
Ceruti
Cimadon
Cinoto
Cocati
Contarini
Cossi
Dardengo
Daros
De Martini
De Pra
Ferraço
Ferrari
Finamore
Fornazier
Gasparini
Gobbi
Malacarne
Mariani
Mignoni
Passareli
Petinelli
Pizzeta
Regattieri
Romanelli
Rosa
Saleto
Sasso
Scaramussa
Schiavini
Semprini
Silvano
Travessani
Venture
Vivacqua
Volpini
Zambon
Zarzanelli
Zucolatto
Em 1875, chegavam seis famílias italianas a Virginia Velha, no alto, e, como todos seus patrícios, levantaram, logo, uma capela dedicada a Santo Antonio. Ao lado, fizeram um cemitério.
O lugar prosperou, até que, em 1885, algumas famílias mudaram-se para a parte baixa e lhe deram o nome de Virginia Nova. Com o advento da Estrada de Ferro Leopoldina, uma estação veio animar o lugar e recebeu seu nome Virginia. Em seguida, criou-se o Distrito, Instalou-se uma Agência do Correio e abriu-se um Cartório. Era o progresso... E Virginia, em 1944, passou à denominação de Jaciguá.
De acordo com as informações do Sr. Afonso Altoé, Virginia e Boa Esperaça formavam a Fazenda Santo Antonio. Os construtores da Estrada de Ferro Leopoldina deram o nome de Boa Esperança á região que vai do Morro do Sal até o fim do Córrego Boa Esperança, que conservou esse nome, apesar de o lugar ter retomado o nome de Virginia. Mas, Boa Esperança tinha sua razão de ser: abastado fazendeiro, o Sr. Agostinho Prates era o dono da enorme área que que abrangia a Jaciguá atual até o Morro do Sal. Tudo era mata virgem, até Cachoeiro. Mas, em 1898, José Altoé veio de Matilde, abriu derrubada e preparou o lugar, com pequeno barraco, para a família. Foi o desbravador de Jaciguá.
No ano seguinte, chegou a família Sossai, que se instalou em Funil.
Mas, não foram invasores. Adquiriram lotes da grande Fazenda Boa Esperança, porque em conseqüência da Abolição, o propritário ficou sem braços para o trabalho. Seguiu a norma de outros fazendeiros, retalhou suas terras.
Em 1900, mais ou menos, chegou Antonio Altoé, filho de José, já referido e fincou primitivo barraco, porque seu pai já havia transferido para cima. E a família foi-se reunindo, com a chegada de André Altoé e seu velho genitor, Ângelo. Veio, João Altoé, que abriu o restante da mata.
A fazenda continou a ser retalhada. Em 1905, Pedro Agrizzi e seus filhos Pedrinho, José, Josefa, Maria (religiosa) e outros da numerosa família, adquiriram mais uma parte da fazenda e concorreram, assim, para aumentar o povoamento do lugar. Mas, houve uma pausa, até que, em 1907, ou 1908, chegaram pelo Oriente as famílias Dezan, Danzi, De Angell , Pesca e outras.
O comércio resumia-se a uma venda, em Cachoeirinha. Pertencia ao Sr. Antonio Penedo. E duas em Cachoeiro, da família Tanure. Para as compras nessas casas, os moradores iam, através de uma picada na mata, viagem de quatro horas a cavalo, munidos de machado e foice, que ficavam guardados com um fazendeiro, no meio do percurso. Era uma providência para que, se caísse uma árvore, ou mesmo um galho, na estrada, até aí primitiva, o cavaleiro pudesse desobstruí-la e regressar para sua casa.
De Vitória a Cachoeiro do Itapemirim, a Estrada de Ferro Sul do Espírito Santo, depois Leopoldina, chegava até Matilde. Dai para diante, ia-se a cavalo, com a parada em Virginia, na casa do Sr. José Altoé, onde tomavam a refeição e, quase sempre, pernoitavam, quando não preferiam o pouso em Alfredo Chaves. Isso durou até 1910, ano da inauguração do trecho Cachoeiro-Matilde, no Governo Jerônimo Monteiro.
A Estrada de Ferro muito concorreu para o progresso da região, em consequência do escoamento do café e da madeira. Muitas famílias para ali vieram e se estabeleceram em Limeira, Qriente, Paraíso.
Com a chegada dos Salesianos, porém, tudo se transformou, animado pela Cooperativa, em Janeiro de 1952, sob a gerência do Sr. Afonso Altoé, que, mensalmente, ia ao Rio de Janeiro fazer compras e trazia bom sortimento em caminhão. Dizem que o material mais vendido constava de máquinas de costura e panelas de ferro.
Em janeiro de 1888, chegaram, no Maria Pia, trezentos imigrantes à Vitória, Itapemirim e Anchieta. Desses Imigrantes, cento e cinqüenta e sete foram para a fazenda São Torquato, em Vila Velha, e vinte, para a do Dr. Armindo Guaraná, em Santa Cruz.
CASTELO E CONCEIÇÃO DO CASTELO
No município de Castelo, chegaram os primeiros Italianos de 1884 a 1888. Foram os Fiorini, para as fazendas Poti e Soledade. E os Andreão, para Monte Alverne.
Não houve propriamente imigração para esse município; vieram Italianos de Alfredo Chaves e de outros lugares. Mas, atualmente é numerosa a colônla italiana aí localizada. Dentre as famílias, anotamos:
Agostini
Aledi
Altoé
Andeão
Antoniazzi
Arcobele
Avance
Baldo
Barbieri
Barnaldi
Belisario
Benicá
Bertolin
Bissoli
Botazzin
Brambilla
Brioschi
Bruneto
Buzatto
Calagari
Caliman
Camata
Campanha
Campo Dal´Orto
Campores
Careta
Cavazzani
Cesauin
Cesconette
Cipian
Coco
Cola
Colodetti
Cumarelli
Dadalto
Dalcin
Dalvi
Delarmelina
Delbarba
Derive
Dorieto
Espadetos
Espadette
Facini
Faço
Falqueto
Fardin
Feijoli
Feitanin
Feriani
Ferrão
Filete
Finholato
Fornacieri
Francesquetti
Furlan
Furlanete
Fuze
Gazzola
Giaretta
Guarnieri
Gurssan
Jareta
Jubini
Laquin
Lavatti
Libardi
Lorenzoni
Lubiana
Magnago
Maragonhas
Marcelan
Mareto
Mauro
Mazioli
Mignoni
Minete
Negri
Niceli
Nicote
Pagios
Pagoto
Pasteis
Pasti
Pedregulho
Perin
Persici
Piuccin
Provatti
Puziol
Ragazzi
Rigo
Rinhao
Sansao
Santolin
Sardi
Scabele
Scalferes
Sonas
Sossai
Stelzer
Tedesco
Tessinari
Toneli
Tozzi
Ulian
Valani
Venturin
Vicentini
Vince
Vitorazzi
Vivacqua
Volpini
Zachi
Zambon
Zandonadi
Zaneli
Zardes
Zucoloto
Zucon
Já vimos que não houve propiamente imigração para esse município. Deslocaram-se famílias de outros lugares, como Alfredo Chaves, por exemplo, em busca de melhores terras e recursos de trabalho. São, por isso raros os remanescentes da imigração italiana; avultam, porém, os descendentes, em todo o município, e desenvolvem atividade vertiginosa, em todos os ramos de trabalho, notadamente, na agricultura, onde são exímios cafeicultores.
COLATINA
Em setembro de 1888, chegaram os imigrantes destinados às diversas seções do Núcleo Colonial Antonio Prado, que se estendia de São Jacinto até o atual Munícipio de Colatina, A sede estava na confluênc:a do Rio Mutum com o Santa Maria do Rio Doce.
A segunda leva chegou em dezembro do mesmo ano, e a terceira, em março de 1889, Todas as três viagens foram feitas no Adria, que, segundo, registros antigos, tinha capacidade para transportar até duas mil pessoas. Mas, a viagem a que nos referimos não tinha o menor conforto, pela grande promiscuidade; compensada, em parte, pela educação e instrução da maioria dos imigrantes, todos alfabetizados.
Pelo que apuramos, aliás, nessa leva estavam portadores de brazões e gente apurada, que empunhou a enxada e o machado, pegou o duro..., no Rio Doce!...
Durava a travessia do oceano dezenove a vinte e cinco dias, nessas três viagens. Mas, os da primeira, nem todos foram para o Rio Doce. Alguns ou muitos, seguiram para Anchieta, Alfredo Chaves e Castelo.
Chegados a Vitória, ficavam os viajantes na Hospedaria da Pedra d’Água.
Depois, em canoas, os do Rio Doce eram transportados até o Porto de Santa Leopoldina. Daí, seguiam, a pé, carregando às costas seus pobres pertences ou haveres, até a concentração na Barra do Mutum (Boapaba), onde o chefe da Colonização, Dr. Gabriel Emílio da Costa, distribuía os lotes do Núcleo Colonial Antonio Prado.
A jornada era a pior que se possa imaginar. No porto do Cachoeiro, recebiam punhados de roscas para sua alimentação. Somentes roscas! Iam daí através de picadas, até Santa Teresa; desciam o Rio Perdido até o Santa Maria do Rio Doce, passando por São Roque, em busca do ponto terminal dessa via dolorosa: a Barra do Rio Mutum.
Além desses imigrantes, que se estabeleceram no Rio Doce e seus afluentes, outros vieram de Santa Teresa, descendo pelos rios Mutum, São Jacinto e Baunilha.
A parte do Núcleo Colonial Antonio Prado, de que estamos tratando, somente recebeu o nome de Colatina a 9 de dezembro de 1889, dada pelo Dr. Gabriel da Costa, homenagem à esposa do Dr. Muniz Freire, Dª. Colatina. O Dr. Muniz Freire muito se interessava pela imigração no Espírito Santo. O lugar, antes, era Povoado da Barra.
O nome de Antonio Prado tinha igualmente sua razão: no Relatório de 1886, do Presidente Antonio Joaquim Rodrigues, lemos que o Cons. Antonio da Silva Prado, Ministro da Agricultura, ciente das necessidades da nossa lavoura, era incasável em procurar meios de atrair corrente imigratória para o Brasil.
Sem recursos para a vida, os imigrantes trabalhavam quinze dias, para o Governo, abrindo estradas e construções de barracões. Com o resultado compravam ferramentas, alimentos e iniciavam suas próprias colônias. O título de propriedade, ou escritura, era expedido, quando completavam o pagamento dos lotes.
Lutaram os imigrantes, com as maiores dificuldades, pela falta de assistência médica e de escolas para seus filhos! Mas, como Ibiraçu, Colatina foi feita pelo braço forte dos imigrantes italianos. É um orgulho da imigração, no Espírito Santo.
Já, em 1933, dizia, profético, o Dr. Xenócrates Calmon: “Ai, vem, desassombrada no seu ímpeto, indomável na sua coragem, altiva no seu patriotismo, e vibrante e vigilante, a mocidade riodocente, a mocidade, que há de governar e dirigir a terra que lhe serviu de berço.
“Ela aí está nas escolas, para a arrancada gloriosa, disposta a levar a terra aos seus gloriosos destinos”.
Colatina, hoje, é a Princesa do Norte.
Na década de 1920, foi constituída a Compahia Territorial de Colonização, para o Norte do Rio Doce, com sede em Colatina. Sua Diretoria era formada pelo Dr. Atílio Vivacqua, Cel. Idelfonso Brito e Artur Oberlander Tibau.
Procedido o levantamento da área concedida pelo Estado à referida Compahia, para colonizar, vários Agentes foram destacados para convidar interessados e conduzi-los à região, oferecendo-lhes lotes e vinte e cinco ou cinqüenta hectares, raramente glebas maiores, e facilidades para seu pagamento. Dentre esses Agentes, destacaram-se os Srs. Alberto Ceolin, Guilherme Simonatto, Bortolo Malacarne e outros, que devassaram toda a região, localizando, aí, centenas e centenas de famílias, procedentes do Sul do próprio município, e do Sul do Estado, na maioria oriundas de antigos imigrantes.
Desse movimento migratório, bem de acordo com os planos da referida Compahia, em certos pontos da área surgiram núcleos urbanos, como Marilândia, Novo Brasil (que. antes da Segunda Grande Guerra, chamava-se Nova Itália), Km 61, São Domingos, Palha (agora São Gabriel da Palha), Bananal, São Pedro de Marilândia e São Rafael.
E assim, Colatina cresceu e prosperou, com o trabalho e a inteligência dos itatlanos e seus descendentes. Dentre estes, Br. Raul Giuberti, médico de renome, foi Senador, Prefeito de Cotatina e exerceu Interinamente o mandato de Governador do Estado (10/10/1959). O Dr. Ermelando Serafini é advogado ilustre, O Dr. Paulo Stefenoni vai se desempenhando com brilhantismo no cargo de Prefeito Munlcipal.
Além de outras viagens de vapores destinados ao transporte de imigrantes notemos que. em outubro de 1888, o Adria voltou com quatrocentos e vinte e três italianos para o Itapemirim; oitenta e sete para São Mateus e dezesseis para Santa Leopoldina. O Vapor Mario trouxe setecentas e duas pessoas, que seguiram, em parte, para Santa Cruz, no Mayrink; outra parte foi para Anchieta e Itapemirim, no Maria Pia.
O Adria não Interrompia suas viagens, no transporte de imigrantes. Na terceira viagem de 1889, entre outras famílias, estava a de Zama Carloni: sua mulher Marcina Malaguetti e três filhos, André, Romeu e Aldo. Foram, com outros companheiros de viagem, que sabiam ofícios, principalmente mecânica, para a fazenda do Dr. Arminio Guaraná, em Santa Cruz, onde estava sendo montada uma usina de açúcar. O pequeno André, no futuro, tornar-se-ia uma figura operosa e querida, na Capital do Espírito Santo.
Dentre as numerosas famílias com sobrenomes italianos, portanto descendentes, anotamos as seguintes:
Acerbi
Arpini
Ballarini
Baracchi
Barbieri
Bartoni
Bendinelli
Benedetti
Bernardina
Bertonni
Bongiovanni
Borghi
Boscaglia
Bravin
Brocco
Brumatti
Busatti
Caldara
Caliman
Camata
Campagna
Campi
Capelli
Cappi
Casagrande
Catabriga
Ceolin
Ceonotelli
Cherotto
Chieppi
Cipriano
Contandini
Corradi
Corsini
D´Isep
Dal´Horto
Dellacqua
Dellapicola
Doná
Fachetti
Fachetti
Favoretti
Feroni
Ferrari
Fidelon
Foleto
Forza
Franzotti
Fratinelli
Frechini
Fulianeto
Gabrielli
Gagno
Galimberti
Galletti
Gallo
Galon
Gamberti
Garbini
Gatti
Gava
Giacomin
Girondelli
Giuberti
Giurizatto
Gobbi
Gon
Guerra
Juliatti
Lavagnolli
Linhales
Lorenzzoni
Luppi
Maestri
Magnago
Mantovani
Marchesini
Margotto
Marino
Martinelli
Massaro
Meneghelli
Mignone
Nardi
Negrelli
Negri
Oleari
Oliva
Pagani
Pandini
Pavan
Pecoari
Pellizzon
Perini
Pernini
Piccin
Presti
Pretti
Quinzan
Ribon
Romano
Rossoni
Sabaini
Scarton
Schettini
Serafini
Signorelli
Spelta
Sperandio
Torezani
Tozetti
Trepadini
Vago
Varnier
Zanotelli
Zanotti
Zucolotto