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AIDS

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Das doenças novas a AIDS é certamente a mais conhecida. Foi a primeira doença do Juízo Final e ninguém sabe calcular com precisão quantas pessoas já morreram. Uma estimativa de dezembro de 1996 dava conta de 64 milhões de mortes. É a mais grave dos 42 tipos de imunodeficiências catalogados pela OMS.

Os primeiros casos de AIDS conhecidos surgiram no início da década de 80. Pesquisas recentes, no entanto, sugerem que alguns casos esporádicos de mortes misteriosas ocorridos em décadas passadas foram devidos à AIDS. O mais antigo deles remonta a 1959.

AIDS é a sigla em inglês de "Acquired Immune Deficiency Syndrome" — Síndrome da Imunodeficiência Adquirida. É causada por um vírus, o HIV, que ataca os glóbulos brancos do sangue, responsáveis pela defesa do organismo. O organismo debilitado fica então suscetível ao ataque de germes oportunistas, que provocam vários tipos de infecções. É muito freqüente também o aparecimento de lesões cancerosas até então consideradas raras, como o sarcoma de Kaposi e o linfoma cerebral. A vítima acaba morrendo das doenças que se instalam em seu organismo. Não há perspectivas de desenvolvimento de uma vacina eficaz porque o vírus se modifica constantemente.

O HIV é um retrovírus, a forma mais simples de vida existente na Terra. Ele tem apenas nove instruções genéticas. São apenas nove genes, capazes de aniquilar o ser humano com seu complexo código genético de mais de 100 mil genes, agrupados numa das substâncias mais sofisticadas que existem, a molécula de DNA.

Vírus são, por definição, parasitas celulares. Eles necessitam do DNA das células para se reproduzir. O vírus HIV entra nos glóbulos brancos, as células de defesa humana, e consegue inserir no núcleo delas o seu código genético, forçando-as a produzir novas cópias de vírus. Cada uma das células atacadas produz milhões de cópias do vírus e morre em seguida. Estima-se que um portador do HIV ainda saudável produza cerca de dez bilhões de cópias de vírus por dia… com mutações genéticas...

Richard Preston, autor do best-seller Zona Quente, explica que o HIV altera por si mesmo suas características à medida que se move através das populações e dos indivíduos, inclusive durante o curso de uma infecção, de modo que a vítima de AIDS geralmente morre infectada por múltiplas variedades do vírus HIV surgidos espontaneamente em seu corpo.

Por isso os médicos são tão pessimistas quanto à possibilidade de se desenvolver uma vacina eficaz. Uma vacina que pudesse ser desenvolvida hoje seria inócua em menos de um ano. Além disso, pesquisadores da Universidade da Califórnia descobriram que uma simples vacina contra a gripe provoca um aumento vertiginoso, de cerca de dez vezes, na quantidade do vírus HIV no sangue. O estudo sugere que qualquer estimulação externa do sistema imunológico, por meio de vacinas sintéticas ou com o auxílio de micróbios naturais, pode resultar no aumento da quantidade de vírus no organismo.

Essa possibilidade foi comprovada algum tempo depois pela pesquisadora Sharilyn Stanley, do Instituto Nacional de Alergia e Doenças Infecciosas. Após aplicar a vacina contra tétano em pacientes de AIDS, com o objetivo de imunizá-los contra a doença, a Dra. Sharilyn e seus colegas viram a produção de cópias do vírus HIV crescer entre 2 e 36 vezes mais que o habitual. Segundo ela, a descoberta "desvenda a natureza diabólica do HIV", pois o sistema normal de proteção do corpo a um invasor também aciona a produção de vírus. "Os pacientes com sistema imunológico mais forte tiveram maior aumento da quantidade de vírus", explicou.

Não obstante a opinião quase unânime dos pesquisadores sobre as dificuldades de se desenvolver uma vacina contra a AIDS, mais de vinte tentativas estavam em andamento no mundo até maio de 1997, sem, contudo, nenhum resultado prático. Nos Estados Unidos, alguns voluntários de uma vacina chamada V-108 acabaram contraindo o vírus. Uma outra tentativa foi suspensa prematuramente quando se comprovou que a vacina não resultava em aumento das células de defesa do organismo. No Brasil, após um ano de testes com um outro tipo de vacina, os pesquisadores tiveram a confirmação de que ela era incapaz de impedir a ação do vírus. Em novembro de 1997, o pesquisador David Baltimore afirmou que o desenvolvimento de uma vacina eficaz contra a AIDS poderia levar décadas. Esta advertência foi feita seis meses depois de o presidente dos Estados Unidos haver "prometido" a criação de uma vacina contra a AIDS num prazo de dez anos... Em vista das dificuldades para a produção de uma vacina, os esforços têm se concentrado no desenvolvimento de medicamentos; em 1996 haviam 122 medicamentos em testes e 42 aprovados contra a AIDS.

As drogas antivirais desenvolvidas até agora conseguem retardar um pouco os sintomas da AIDS, mas produzem efeitos colaterais e também são, mais cedo ou mais tarde, dribladas pelo vírus. Além disso, já foram identificados (até o presente) nove subtipos do vírus HIV. Uma vacina que fosse eficaz para um desses subtipos não o seria para os outros. Como se não bastasse, em julho de 1995 descobriu-se que existem diferenças importantes entre o subtipo B do vírus HIV existente no Brasil e esse mesmo subtipo encontrado nos Estados Unidos e Europa. Por isso, mesmo que fosse possível sintetizar uma vacina para um subtipo específico do vírus da AIDS, ela certamente não seria eficaz para esse mesmo subtipo em outras regiões do globo. Além do mais, já há casos de pessoas infectadas com dois subtipos do HIV...

O reconhecimento da total impotência da humanidade frente à doença tem feito surgir algumas tentativas de terapia que beiram o desespero. Em 1988 chegou-se a injetar ozônio no sangue contaminado, na esperança de matar o vírus. Outra tentativa foi fazer o sangue da pessoa infectada circular fora do corpo, passando por uma máquina. A máquina tentava matar o vírus esquentando o sangue… Fracasso completo. Um californiano recebeu a medula óssea de um babuíno num transplante [um crime contra o animal, que só fez aumentar a culpa do aidético e de todas as pessoas envolvidas na experiência]. Os cientistas acreditavam que com o transplante o californiano passaria a produzir células de defesa resistentes ao vírus já que, sob um microscópio, as células do babuíno são "quase idênticas" às do sistema imunológico humano, com a diferença de que elas são resistentes ao HIV. Naturalmente, o resultado foi mais um fiasco. Em 1997 apareceu um querendo atacar o HIV com o vírus da hidrofobia...

A AIDS cresce sem cessar no mundo todo, e sob qualquer aspecto que se analise a doença. Na Tailândia, no outono de 1989, o índice de infecção entre usuários de drogas e prostitutas era inferior a 0,04%; vinte meses depois esse índice era superior a 70%. Em Cuba, houve um aumento de 60% no número de casos em 1997 em relação ao ano anterior, de acordo com dados oficiais. Na África, a epidemia adquire proporções de uma catástrofe continental. Em 1991, só em Uganda, havia um milhão de portadores do vírus HIV. Em 1992 estimava-se que nada menos que 68% das infecções registradas na África subsaariana eram devidas ao HIV. Em 1993, 40% das mulheres em idade fértil das principais cidades do continente eram portadoras do vírus. Em 1995, na Zâmbia, 24% das mulheres grávidas estavam infectadas, e no Zimbabwe estimava-se que 25% da população era portadora do vírus. Em 1996 já se sabia que 5,6% da população de toda a África subsaariana tinha o HIV; em 1997 este índice subiu para 7,4%; naquela época, Botsuana tinha 30% da sua população infectada.

O gráfico abaixo mostra a evolução da doença no mundo nos últimos anos:


O gráfico abaixo mostra a taxa de incidência anual dos casos de AIDS nas Américas para cada grupo de um milhão de habitantes:



O gráfico abaixo mostra a incidência anual do número de casos de AIDS no mundo, por região, de 1979 a meados de 1996:




O total estimado de pessoas infectadas no mundo em 1993 era de aproximadamente 15 milhões. Um ano depois, em julho de 1994, a OMS avaliava que 17 milhões de pessoas no planeta eram portadoras do vírus HIV7. Em 1995, de acordo com a Organização, já eram 20 milhões de portadores do vírus no mundo e 6 mil pessoas eram infectadas todos os dias. Em 1996 os números eram: 22,6 milhões de portadores do HIV e 7.500 novos casos ocorrendo a cada dia; em 1997: 30,6 milhões de infectados e 16 mil novos casos por dia. Aproximadamente 2,3 milhões de pessoas no mundo morreram de AIDS em 1997, com um total acumulado de 11,7 milhões de mortos. O mapa abaixo mostra a distribuição do número estimado de novos casos da doença entre adultos e crianças ocorridos em 1997, num total de 5,8 milhões:



No início da década de 90, acreditava-se que a casa dos 30 milhões de infectados só seria atingida no ano 2000... De acordo com a UNAIDS, agência da ONU encarregada de monitorar a doença, a última estimativa para o ano 2000 é que a média de mortes para cada grupo de 100 mil habitantes ficará em 72,2. O mapa a seguir mostra como estava a distribuição no mundo dos 30,6 milhões de infectados no final do ano de 1997:



Em 1997, a UNAIDS emitiu um relatório dando conta que uma em cada cem pessoas no planeta em idade sexualmente ativa estava contaminada, e que apenas 10% dos portadores sabiam que possuíam o vírus. Segundo o relatório, o número de casos na China chegava a 200 mil, e em alguns países da Europa assistia-se a "um dramático ressurgimento da infecção". O diretor da Agência, Peter Priot, foi conciso e claro: "A epidemia é bem pior do que havíamos imaginado."

Uma matéria sobre o assunto publicada na revista Veja de 3.12.97 dizia o seguinte: "O relatório joga uma pá de cal na safra de previsões otimistas sobre a epidemia, que começou no ano passado graças à descoberta do coquetel de medicamentos contra o HIV, cem vezes mais forte que o AZT. Houve quem previsse que a AIDS logo estaria sob controle. Nos últimos meses, comprovou-se que o coquetel não é tão eficiente quanto se imaginava, e os dados da semana passada mostram que a doença tem um poder de destruição avassalador."

Mais à frente vamos falar detalhadamente deste coquetel de drogas. Mas quando ficou evidente que ele não produzia os efeitos esperados, um repórter perguntou ao Dr. John Bartlett, um dos maiores especialistas em AIDS do mundo, se ele acreditava que seria possível encontrar uma fórmula para expulsar completamente o vírus HIV de um corpo infectado. Resposta do Dr. Bartlett: "Não. O vírus não será extinto. Nossa preocupação hoje é inibir as infecções oportunistas."

Alguns outros dados estatísticos confirmam o "poder de destruição avassalador" da doença:

No Brasil, os viciados em drogas injetáveis já eram o maior grupo de vítimas da doença em 1994; em 1995, a ONU informava que 60% dos usuários de drogas no país estavam contaminados com o HIV. Também em 1995, a AIDS já era a principal causa de morte de mulheres entre 15 e 49 anos no Estado de São Paulo, e na faixa etária entre 10 a 19 anos o aumento de casos da doença no Estado foi de 228,3% em seis anos. Em 1996 surgiram os primeiros casos de AIDS em populações indígenas. Em 1997, para cada grupo de 200 mulheres, uma estava infectada, e para cada grupo de 300 homens, dois eram portadores do HIV. Naquele ano, no mês de maio, registrava-se na região sudeste o primeiro caso de infecção do subtipo D do vírus, até então inexistente no país.

Nos Estados Unidos, no período compreendido entre 1992 e 1994, o número de americanos com mais de 50 anos que contraíram a doença cresceu 70%, de acordo com o CDC. Em 1993, a AIDS já era a 8ª causa de morte registrada nos Estados Unidos, acima de homicídios e suicídios. Em 1995, o Instituto Nacional do Câncer, em Washington, informava que um em cada 92 homens americanos entre 27 e 39 anos era portador do HIV, e que a AIDS já era a causa mais freqüente de mortalidade entre as pessoas de 25 a 44 anos no país…

Os mapas abaixo mostram a evolução da AIDS nos Estados Unidos nos últimos anos. Cada ponto indica aproximadamente 30 casos da doença. O primeiro mapa mostra o número acumulado de casos do início da epidemia até julho de 1989; o segundo mostra o acumulado até dezembro de 1995; e o terceiro (animado) mostra o aumento do número de casos registrados no país de fevereiro de 1983 a dezembro de 1995.






Esses números todos falam por si. A AIDS é a principal doença do Juízo Final, um efeito recíproco da atuação humana tão contrária às Leis naturais, e para a qual não haverá cura.

O Dr. Bartlett resumiu assim a sua visão da doença: "Por ser uma infecção, a AIDS provoca sentimentos poderosos nas pessoas, porque o homem do século XX não estava mais acostumado com uma posição de tão completa derrota diante de uma infecção."

As palavras do Dr. Bartlett encerram verdade. Mas tão-somente quando a prepotência do ser humano tiver sido completa e definitivamente erradicada, quando a humanidade reconhecer finalmente que suas capacitações técnicas e sua ilusão de saber de nada valem contra as forças da natureza, então estará aberto o caminho para a redescoberta da humildade. E com a humildade despertada novamente dentro de si, os seres humanos poderão buscar auxílio onde realmente podem encontrar: na adaptação irrestrita às Leis da Criação, instituídas pelo Criador Todo-Poderoso. Até chegar a esse ponto, porém, a humanidade terá de aprender quão limitadas na verdade são as suas pretensas capacitações. Terá de reconhecer que só tinha palavras ocas e arrogantes para contrapor aos efeitos retroativos de sua própria má vontade.

No início da epidemia, numa reunião de cúpula em Londres, o delegado chinês insistiu que a AIDS não poderia ameaçar a República Popular… E o ministro da saúde da União Soviética esclareceu que a superioridade genética eslava tornava a população de seu país imune ao vírus…

Além de atingir um número sempre crescente de seres humanos com o implacável índice de letalidade de 100%, novos e inesperados fatos relacionados à doença continuam a surpreender médicos, sociólogos, antropólogos e pesquisadores.

No campo do comportamento humano, Paris viu surgir uma nova modalidade de assaltos em setembro de 1994: bandidos armados com seringas contaminadas com o vírus da AIDS. Em um mês foram registrados cinco tentativas de assalto desse tipo e a polícia ficou espantada com a rapidez com que o novo método estava se espalhando pela cidade. Um policial declarou: "Os assaltos com seringas contaminadas devem ser um sinal dos tempos em que vivemos…"

Em maio de 1995 aconteceu no Peru o "Primeiro Seminário Internacional Latino-Americano sobre AIDS nas Forças Armadas e Polícia", o que mostra a preocupação dos setores militares de todo o continente com o aumento do número de casos de AIDS em suas Forças.

Durante o ano de 1996, as carpintarias em Kampala, capital de Uganda, começaram a florescer como nunca. O motivo: pedidos de caixões para as vítimas da AIDS, cujo número aumentava continuamente. Via-se na cidade vários ciclistas carregando caixões na garupa, esbarrando nos pedestres e atravancando o trânsito. Também em 1996 ficou caracterizado um novo mal associado à AIDS: o medo de contrair o vírus. Esse tipo de fobia aumentou tanto que a OMS decidiu incluí-lo entre as doenças psiquiátricas…

Na área das descobertas científicas em relação à doença, a perplexidade dá a tônica:

Em 1993 descobriu-se que o vírus HIV age em parceria com o vírus da herpes simples 1, o HSV-1. As duas espécies não apenas se estimulam mutuamente a produzir novos vírus, mas também compartilham as mesmas células, e de forma tão completa que dão origem a um vírus híbrido.

Em novembro de 1994, dentistas do hemocentro do Hospital das Clínicas de Ribeirão Preto, Estado de São Paulo, descobriram que o vírus existente na região é diferente geneticamente do encontrado na maior parte do Brasil, Estados Unidos e Europa. Verificou-se que a nova variante do vírus HIV não era detectada através dos exames disponíveis. Nos Estados Unidos, um doente só ficou sabendo que tinha AIDS quando apresentou os primeiros sintomas da síndrome, depois de ter doado sangue por 33 vezes; todos os testes a que ele se submeteu deram resultado negativo.

Em janeiro de 1995, dois cientistas da Universidade do Alabama publicaram um trabalho demonstrando que a velocidade de multiplicação do vírus da AIDS era muito maior do que se pensava. Utilizando um novo medicamento, inibidor de uma enzima importante no processo de reprodução do vírus, os dois pesquisadores conseguiram quase aniquilar o vírus num grupo de pacientes. Apenas uma pequena quantidade, inferior a 1%, escapou dos efeitos da droga. Contudo, no intervalo de duas semanas eles constataram que seus pacientes haviam criado resistência às drogas. Pelos seus cálculos, entre 100 milhões e um bilhão de novos vírus continuavam a ser produzidos a cada dia. Numa matéria de 18 de janeiro de 1995, a revista Isto É publicou o seguinte sobre o assunto: "A nova descoberta fez com que em todo o mundo vários cientistas ficassem boquiabertos. ‘Esta revelação de agora me deixou absolutamente chocado’, declara o médico John Cofin, professor de biologia molecular e microbiologia da Tufts University School of Medicine."

As constantes descobertas sobre novas particularidades do vírus confirmam que todo o saber científico da humanidade e todos os recursos técnicos disponíveis atualmente não são páreo contra o micróbio nessa guerra. Em junho de 1995, pesquisadores italianos descobriram que o vírus HIV é capaz de produzir uma proteína que acelera a sua própria velocidade de multiplicação. Na mesma época, dois cientistas da Universidade da Geórgia publicaram um estudo na revista Nature Medicine, onde mostraram que a desinfecção química de instrumentos médicos e dentários não destruía o vírus HIV. Um outro teste de laboratório mostrou que o vírus conseguia passar de um tubo fechado para outro também lacrado, e isso numa temperatura de 20 graus negativos…

Em março de 1996, cientistas da Universidade da Califórnia descobriram que o sarcoma de Kaposi é causado por um outro vírus, até então desconhecido, que age no organismo debilitado pelo HIV. Até então (desde abril de 1994), acreditava-se que esse tipo de câncer era causado pelo próprio vírus HIV. Mais tarde se saberia (abril de 1998) que o vírus desconhecido causador do sarcoma de Kaposi era um vírus de herpes, chamado HHV-8. Em junho de 1996, os cientistas daquela universidade verificaram que o HIV faz com que as células de defesa de organismos jovens aparentem pertencer a indivíduos com cem anos de idade. Em setembro, médicos da Universidade do Ceará constataram que o HIV reduz de 30% a 50% a área de absorção do intestino, causa do emagrecimento acentuado. Neste mesmo mês, cientistas britânicos descobriram que o vírus ataca um outro tipo de célula do sistema de defesa do organismo, chamada CD8, até então considerada imune.

O ano de 1997 foi pródigo em novas descobertas:

Em fevereiro surgiram as primeiras evidências de como o vírus age no cérebro das pessoas infectadas, causando demência em cerca de 20% a 30% delas.

Em março, cientistas da Universidade de Pittsburgh anunciaram que a quantidade do vírus HIV existente no sêmen, em qualquer fase da doença, era até mil vezes maior do que se supunha. Segundo um dos pesquisadores, seus estudos demonstraram que "um homem pode transmitir o vírus em qualquer época após ter-se infectado."

Em abril, pesquisadores italianos publicaram um estudo no British Medical Journal informando que o vírus HIV estava se tornando mais agressivo. Segundo o Dr. Alessandro Sinicco, o HIV estava sofrendo mutações para formas mais poderosas, razão pela qual as pessoas que contraíram o vírus a partir de 1989 estavam ficando doentes mais cedo.

Em junho, pesquisadores da Universidade George Washington descobriram porque a quantidade de vírus da AIDS aumenta nos estágios finais da doença, apesar de as células CD4 (onde normalmente elas ficam localizadas) diminuírem de quantidade. É que um outro tipo de células, os macrófagos, também produziam cópias do vírus. Na mesma época, pesquisadores franceses descobriram que uma proteína produzida pelo citomegalovírus ajudava o HIV a entrar nas células.

Em julho, o CDC confirmou o primeiro caso de transmissão do HIV pelo beijo.

Em outubro, pesquisadores presentes na 6ª Conferência Européia de Tratamento da Infecção por HIV, informaram que não bastava destruir o vírus, pois "o sistema imunológico humano atacado pela AIDS não se recupera completamente, mesmo com o uso do coquetel de drogas."

O ano de 1998 começou na mesma linha: em janeiro, pesquisadores americanos descobriram que um gene específico do vírus HIV aparentemente impedia as células de defesa do organismo de perceber que ele estava por perto.

As campanhas de prevenção contra a doença em todo o mundo enfatizam a necessidade de se usar preservativos nas relações sexuais, como a única maneira eficaz de impedir a propagação do vírus pelo contato sexual. Todavia, alguns estudos mostram que o preservativo não é tão seguro assim. O especialista americano, Dr. Malcon Potts, afirma que o HIV tem 0,1 mícron8 de tamanho, enquanto que os poros do preservativo têm até 5 mícrons. Numa publicação médica americana, apareceu um estudo indicando que o preservativo apresenta uma deficiência média em bloquear o vírus da AIDS da ordem de 16%. De acordo com um trabalho publicado pelo pesquisador Dr. Weller S., a redução do risco proporcionado pelos preservativos nas relações heterossexuais expostas ao vírus HIV é da ordem de 69%. Nunca é demais lembrar que o espermatozóide é 450 vezes maior que o vírus HIV.

Certo mesmo estava o diretor-geral da OMS, Dr. Hiroshi Nokajima, quando afirmou: "A fidelidade é mais importante que o preservativo..."

Em agosto de 1996, durante a 11ª Conferência Internacional da AIDS em Vancouver, Canadá, o mundo conheceu o que parecia ser o primeiro alento em relação à doença. O virologista David Ho apresentou um novo tratamento consistindo de três medicamentos distintos, o chamado "coquetel de drogas", que atuam sobre o HIV em fases diferentes do seu processo de maturação dentro da célula infectada.

O coquetel, considerado cem vezes mais potente que o tratamento até então disponível, conseguiu destruir a carga viral dos doentes a níveis indetectáveis pelos testes existentes. A euforia foi imediata. Jornais e revistas da época apresentaram as seguintes manchetes:

"ENFIM, A ESPERANÇA!"

"VENCEREMOS A AIDS!"

"AIDS: A 1% DA CURA!"

"COQUETEL DE TRÊS DROGAS REDUZ A ZERO A QUANTIDADE DO VÍRUS DA AIDS"

"ESTUDO DIVULGADO EM CONFERÊNCIA SUGERE QUE EXISTE CURA PARA A DOENÇA"

"A PALAVRA ‘CURA’ BAILA NOS LÁBIOS DOS MÉDICOS"

A razão de todo esse otimismo era que as chances de o HIV desenvolver resistência aos três medicamentos ao mesmo tempo eram consideradas praticamente nulas… "Temos de bater forte e rápido!", era o lema constantemente repetido pelo Dr. Ho e continuamente reproduzido em todos os meios de comunicação.

O mundo entrou em 1997 na nervosa expectativa de que finalmente pudesse ser anunciada a cura da AIDS. A constatação, ainda em fins de 1996, que entre 16% e 20% dos pacientes não respondiam ao tratamento com o coquetel, e que seu custo girava em torno de 16 mil dólares por ano para cada doente, superior a renda per capita de 99% das nações, pareciam pequenos inconvenientes diante das promissoras perspectivas de controle e até mesmo de cura da doença.

Em janeiro de 1997, durante a Conferência sobre Retrovírus e Infecções Oportunistas, o Dr. Ho anunciou que o coquetel tríplice havia eliminado o vírus HIV do sêmen e do fluído vaginal de seus pacientes. Todavia, ele adiou por um ano a apresentação dos resultados definitivos de sua terapia, pois havia também a certeza de que o vírus não havia sido erradicado das pessoas estudadas...

O coquetel melhorou a qualidade de vida dos portadores da AIDS e reduziu o número de mortes em 1997, não obstante ficou muito longe das expectativas iniciais. No decorrer do ano o tratamento já se mostrava bastante decepcionante. Vamos acompanhar em ordem cronológica algumas manchetes de jornais e notícias sobre o assunto:

8.5.97: "Ho diz que são precisos 3 anos de coquetel anti-Aids"
Dez meses depois da Conferência Internacional sobre AIDS, em Vancouver, o cientista David Ho mostra-se mais cauteloso sobre os resultados a curto prazo do coquetel de remédios contra o HIV. Na época, ele apresentara a possibilidade de suspender o tratamento menos de um ano depois; agora ele pede de 2,3 a 3,1 anos: "Para erradicar o HIV é necessário tratamento mais longo, por causa da possível existência de compartimentos de vírus indetectáveis."
12.6.97: "Coquetel anti-Aids pode causar diabetes"
Os inibidores da protease, os medicamentos mais potentes desenvolvidos até agora para o combate à AIDS, podem causar diabetes. O alerta foi feito ontem pela Administração de Drogas e Alimentos (FDA) dos Estados Unidos.
15.9.97: "Estudo em SP vê falha no coquetel contra AIDS"
Estudo feito pela Secretaria de Saúde do Estado de São Paulo mostra que o coquetel anti-Aids falhou em 30% dos pacientes atendidos pela rede pública.
16.9.97: "Combinação de remédios não funciona em 30% dos pacientes"
Análise da Secretaria Estadual de Saúde [no Brasil] mostrou que os remédios deixaram de fazer efeito ou provocaram efeitos colaterais insuportáveis em 30% dos pacientes (...) O grau de ineficiência em franceses e norte-americanos varia em torno de 20%, segundo pesquisas divulgadas no início do ano pelo Centro de Controle de Doenças dos Estados Unidos (CDC) e pela Agência Nacional de Pesquisas em AIDS (ANRS).
17.9.97: "Pesquisa põe em dúvida efeito de terapia anti-Aids"
O tratamento que reduz o vírus da AIDS a níveis não-detectáveis deixa uma infecção latente no sistema imunológico (...)
30.9.97: "Estudo vê falha em coquetéis contra a AIDS"
Um estudo da Universidade da Califórnia apresentado ontem mostrou que as drogas contra a AIDS conhecidas como inibidores de protease, usados nos chamados coquetéis, falharam em 53% dos 136 pacientes estudados. Pesquisas anteriores mostravam até 20% de falhas neste tipo de tratamento.
13.10.97: "Resistência de HIV a remédios preocupa cientista"
O cientista David Ho, um dos conceituados pesquisadores da AIDS, reafirmou ontem sua preocupação com a resistência do HIV aos medicamentos.
13.10.97: "Coquetel falha em 50% do HIV tratado"
'O coquetel anti-Aids está falhando em 50% dos pacientes que já tinham tomado algum tipo de droga contra o vírus HIV', disse o médico italiano Giuseppe Pantaleo.
14.10.97: "Coquetel limita HIV a gânglios e amídalas"
Ho havia afirmado anteriormente que existia uma possibilidade de o vírus ter sido erradicado do organismo. Mas, em seus novos estudos, ele detectou vírus escondidos nos gânglios linfáticos e nas amídalas.
14.10.97: "Coquetel anti-Aids não erradica HIV"
Pela primeira vez, o pesquisador norte-americano David Ho admitiu publicamente que o coquetel anti-Aids não consegue erradicar completamente o vírus HIV do corpo. (...) Ele encontrou "resíduos" do vírus até em pacientes tratados a partir dos três primeiros meses após a contaminação. (...) 'Esses resultados mostram que além das drogas, temos de ter outras estratégias para combater a infecção', disse Ho.
22.10.97: "Cenário cinzento"
Ho acredita que as novas terapias podem manter o vírus sob controle, especialmente nos pacientes que ainda não manifestaram a doença, mas não sabe por quanto tempo. Por várias razões. A primeira é a toxidade. Muitos pacientes não resistem ao assalto químico dos inibidores de protease e podem até morrer do tratamento. A segunda é a resistência do vírus. Pesquisadores do laboratório Merck apresentaram um caso em que cepas de vírus de um paciente se mostraram resistentes ao ataque de todos os inibidores de protease conhecidos."
fevereiro de 98: "Peripécias de um vírus fujão" [matéria da revista Superinteressante]
O micróbio terrível, mais uma vez, arranjou um jeito de se esconder dos venenos. Robert Siliciano, da Universidade Johns Hopkins, explicou a frustração dos cientistas: "O vírus fica adormecido, sem se reproduzir, dentro de células inativas do sistema imunológico." Nessa situação, o HIV não pode ser atacado, já que os remédios não entram nas células inativas, só nas que estão circulando pelo sangue. Aí, assim que a célula defensora é ativada por uma infecção qualquer (como uma gripe), o vírus da AIDS volta a proliferar e causar destruição.
O escritor Richard Preston afirma que não existe uma única comunidade na Terra, por menor que seja, que ainda não tenha sido contaminada pelo vírus da AIDS9. Em seu livro Zona Quente, ele se manifesta da seguinte maneira em relação ao surgimento das novas doenças: "Num certo sentido, a Terra está criando uma resposta imune contra a raça humana. Começa a reagir ao parasita humano, à infecção de gente. (…) O sistema imune da Terra, por assim dizer, está ‘vendo’ a presença da espécie humana e começa a se revoltar contra ela. A Terra está tentando se livrar de uma infecção causada pelo parasita humano. Talvez a AIDS seja o primeiro passo num processo natural de limpeza" [grifo meu].

Apesar de Richard Preston ser partidário da tese de que as doenças emergentes surgiram da invasão das florestas tropicais, com a qual eu não concordo absolutamente, não tenho nada a comentar sobre essas suas palavras, que espelham fielmente a situação atual.

Não haverá cura para a AIDS, pois esta é uma doença do Juízo Final, que tem uma função específica a cumprir. A vontade inteira da humanidade é totalmente impotente para estabelecer qualquer modificação nisso.








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