Menu principale:
CATÁSTROFES > CATÁSTROFES NATURAIS
Um ciclone (ou depressão ou centro de baixas pressões) é uma região em que o ar relativamente quente se eleva e favorece a formação de nuvens e precipitação. Por isso, tempo nublado, chuva e vento forte estão normalmente associados a centros de baixas pressões. A instabilidade do ar produz um grande desenvolvimento vertical de nuvens cumuliformes associadas a cargas de água.
Ciclones e Anti-ciclones (Hemisfério Norte)são indicados nos mapas meteorológicos pela letra «B» e são locais onde a pressão atmosférica é a mais baixa na sua vizinhança e em volta do qual existe um padrão organizado de circulação de ar. À medida que, pela acção do diferencial de pressões, o ar flui dos centros de altas pressões para um centro de baixas pressões é deflectido pela força de Coriolis de tal modo que os ventos circulam em espiral, isto é, no sentido anti-horário (direcção contraria aos ponteiros de um relógio) no Hemisfério Norte e no sentido horário (direcção dos ponteiros de um relógio) no Hemisfério Sul. Na meteorologia os movimentos de ar resultantes de um centro de altas pressões são denominados anti-ciclones. O sentido de giro de um ciclone e de um anti-ciclone é o contrário para um mesmo hemisfério, sendo este determinado pela aceleração de Coriolis.
Ciclones e Anti-ciclones (Hemisfério Norte)
Como exemplo de ciclones podemos citar os sistemas frontais, os tornados e os furacões. Como, na Índia e na Austrália, os furacões são chamados ciclones (e, na Ásia, tufões), a mídia confunde constantemente o termo ciclone com furacão. A meteorologia diferencia o ciclone extratropical do furacão. Um furacão tem núcleo quente e se forma sobre águas quentes, em geral acima de 26 graus celsius. Um ciclone extratropical em geral é um fenômeno de latitudes médias e altas que se propaga até latitudes tropicais, associado comumente a frentes frias e ondas baroclínicas em altos níveis da troposfera;
Mapa meteorológico
Sistema frontal ciclónico (Hemisfério Norte)Os ciclones são fáceis de reconhecer num mapa de observações à superfície pelos ventos que tendem a fluir para ele com uma rotação «em espiral» e nas imagens de satélite pela configuração em forma de vírgula de bandas de nuvens.
No Hemisfério norte, um ciclone em desenvolvimento é tipicamente acompanhado (a leste do centro de baixas pressões) por uma frente quente atrás da qual ventos de sul transportam para norte o ar quente e húmido de uma massa de ar quente, contribuindo para a desenvolvimento de precipitação. Atrás do centro de baixas pressões (a Oeste dele), ventos de norte transportam ar mais frio e seco para o sul, com uma frente fria marcando o bordo da frente dessa massa de ar mais fria e seca. No Hemisfério sul, como o sentido ciclónico se inverte, observa-se tipicamente a situação simétrica desta.
Sistema frontal ciclónico (Hemisfério Norte)
Ciclone tropical
Ciclone tropical é um sistema tempestuoso caracterizado por um sistema de baixa pressão, por trovoadas e por um núcleo morno, que produz ventos fortes e chuvas torrenciais. Este fenômeno meteorológico forma-se nas regiões trópicas, onde constitui uma parte importante do sistema de circulação atmosférica ao mover calor da região equatorial para as latitudes mais altas. Um ciclone tropical alimenta-se do calor libertado quando ar úmido sobe e o vapor de água associado se condensa. Os ciclones tropicais são alimentados por formas diferentes de libertação de calor do que outros fenômenos ciclônicos, como os ciclones extratropicais, as tempestades de vento européias e as baixas polares, permitindo a sua classificação como sistemas de 'núcleo morno'.
Estes ciclones são chamados de 'tropicais' porque se formam quase que exclusivamente em regiões trópicas e também por se originarem de massas de ar tropicais marítimas. Estes sistemas são chamados de 'ciclones' devido a sua natureza ciclônica. No hemisfério norte, os ciclones tropicais giram em sentido anti-horário e no hemisfério sul giram em sentido horário. Dependendo de sua localização geográfica e de sua intensidade, os ciclones tropicais podem ganhar vários outros nomes, tais como furacão, tufão, tempestade tropical, tempestade ciclônica, depressão tropical ou simplesmente ciclone.
Os ciclones tropicais produzem ventos fortes e chuvas torrenciais. Estes sistemas também são capazes de gerar ondas fortes e a maré ciclônica, uma elevação do nível do mar associada ao sistema. Estes fatores secundários podem ser tão devastadores quanto aos ventos e às chuvas fortes. Os ciclones tropicais formam-se sobre grandes massas de água morna e perdem sua intensidade assim que se movem sobre terra. Esta é a razão porque regiões costeiras são geralmente as áreas mais afetadas pela passagem de um ciclone tropical; regiões afastadas da costa são geralmente poupadas dos ventos mais fortes. Entretanto, as chuvas torrenciais podem causar enchentes severas e as marés ciclônicas podem causar inundações costeiras extensivas, podendo chegar a mais de 40 quilômetros da costa. Seus efeitos podem ser devastadores para a população humana, embora podem amenizar estiagens.
Muitos ciclones tropicais formam-se quando as condições atmosféricas em torno de uma perturbação fraca na atmosfera são favoráveis. Outros se formam quando outros tipos de ciclones adquirem características tropicais. Estes sistemas tropicais movem-se por meio de correntes de ar na troposfera. Quando as condições atmosféricas continuam favoráveis, o ciclone tropical se intensifica e geralmente se forma no seu núcleo um olho. Por outro lado, quando as condições atmosféricas tornam-se desfavoráveis ou o sistema atinge a costa, o sistema começa a se enfraquecer e posteriormente se dissipa.
O Furacão Catarina, um ciclone tropical do Atlântico sul raro visto da Estação Espacial Internacional em 26 de Março de 2004
Estrutura física
Todos os ciclones tropicais são áreas de baixa pressão atmosférica próximos à superfície terrestre. As medições da pressão atmosférica nos centros dos ciclones tropicais estão entre as menores já registradas mundialmente ao nível do mar. Os ciclones tropicais são caracterizados e guiados pela liberação de grandes quantidades de calor de condensação, que ocorre quando ar úmido é levado para cima e seu vapor se condensa. Este calor é distribuído verticalmente em torno do centro do ciclone. Desta forma, em qualquer altitude, exceto ao nível do mar onde a temperatura da superfície do mar controla a temperatura ambiente, o interior de um ciclone tropical é mais quente do que as partes externas ou áreas em torno.
Estrutra de um ciclone tropical
Bandas de tempestade
Bandas de tempestade são bandas de nuvens que produzem tempestades e trovoadas que se movem de ciclonicamente e em espiral em direção ao centro do sistema. Ventos fortes e aguaceiros freqüentemente ocorrem em bandas de tempestade individuais. Entre bandas de tempestade podem ocorrer regiões de calmaria. Tornados freqüentemente ocorrem nas bandas de tempestade de um ciclone tropical que está prestes a atingir a costa. Ciclones tropicais anulares se distinguem de outros ciclones tropicais pela ausência de bandas de tempestade. Os ciclones tropicais anulares apresentam uma massiva área circular de distúrbios meteorológicos em torno de seus centros de baixa pressão atmosférica. Enquanto todos os ciclones requerem divergências atmosféricas acima para continuarem a se aprofundar, a divergência atmosférica sobre ciclones tropicais está em todas as direções a partir de seus centros. Nos topos de ciclones tropicais destacam-se ventos que saem de seus centros para as áreas externas, realizando um movimento anticiclônico, devido ao efeito Coriolis. Ventos associados a um ciclone tropical na superfície são extremamente ciclônicos, enfraquecem-se conforme a altitude e num determinado instante conforme aumenta a altitude, começam a girar ao contrário. Ciclones tropicais têm como única característica própria a necessidade de pouco ou nenhum vento de cisalhamento para manterem seu núcleo morno nos seus centros.
Olho e o núcleo interno
Um ciclone tropical intenso irá acolher uma área de ar no centro de sua circulação. Se esta área for suficientemente forte, poderá evoluir para um olho. As condições meteorológicas no olho são normalmente calmas e livres de nuvens, embora o mar poderá estar extremamente violento.[3] O olho é normalmente circular em sua forma e pode variar em tamanho entre 3 a 370 quilômetros de diâmetro. Ciclones tropicais intensos e maduros pode às vezes exibir uma curvatura interna do topo de sua parede do olho, o que pode lembrar um estádio de futebol; este fenômeno às vezes é referido como efeito estádio.
Há outros destaques que podem estar em torno do olho ou cobri-lo. O centro denso nublado é uma área concentrada onde há intensa atividade de trovoadas localizado perto do centro do sistema; em ciclones tropicais fracos, o centro denso nublado poderá cobrir o centro do sistema completamente. A parede do olho é um circulo de tempestades violentas que envolve o olho; é nesta região de um ciclone tropical que são encontrados os ventos mais fortes, onde as nuvens alcançam o pico de intensidade e também onde a precipitação é a maior. Os maiores danos causados por um ciclone tropical são quando a parede do olho passa sobre terra. Ciclos de substituição da parede do olho podem ocorrer naturalmente em ciclones tropicais intensos. Quando os ciclones tropicais atingem seu pico de intensidade, eles normalmente têm uma parede do olho e um raio de vento máximo que podem se contrair para um tamanho muito pequeno em comparação ao ciclone como um todo, por volta de 10 a 25 quilômetros. Bandas de tempestade externas podem se organizar para formar outro anel de tempestades e trovoadas (uma nova parede do olho) que move-se lentamente em direção ao olho e começa a usurpar da umidade da parede do olho e de seus momentum angular. Quando a parede do olho enfraquece-se, o ciclone tropical enfraquece (em outras palavras, o vento máximo sustentado se enfraquece e a pressão atmosférica central sobe). A parede do olho externa substitui completamente a outra parede do olho no fim do ciclo. O ciclone pode voltar a ter a intensidade inicial ou em alguns casos, o ciclone poderá estar mais forte após a substituição da parede do olho terminar. O ciclone poderá fortalecer-se novamente assim que o sistema constrói uma nova parede do olho para o próximo ciclo de substituição da parede do olho.
Tamanho
Uma medida de tamanho de um ciclone tropical é determinada pela medição da distância de seu centro de circulação até a sua isóbara mais externa, também conhecida como seu "ROCI". Se a medida do raio for menos do que dois graus de latitude (222 km), então o ciclone é 'muito pequeno' ou 'anão'. Se a medida do raio for entre 2 a 3 graus (222 a 333 km), então o ciclone é considerado 'pequeno'. Se a medida do raio for entre 3 a 6 graus (333 a 666 km), então o ciclone será considerado um ciclone de 'tamanho normal'. Ciclones tropicais são considerados 'grandes' quando seu raio fica entre 6 a 8 graus (666 km a 888 km). Ciclones tropicais são considerados ‘muito grandes’ quando o seu raio ultrapassa 8 graus (mais de 888 km).[14] Outros métodos de determinar o tamanho de um ciclone tropical incluem a medida do raio de ventos máximos no qual seu campo relativo de vorticidade diminui para 1×10-5 s-1 de seu centro.
Descrições de tamanhos de ciclones tropicais
ROCI Tipo
Menos do que 2 graus de latitude Muito pequeno/anão
2 a 3 graus de latitude Pequeno
3 a 6 graus de latitude Médio/normal
6 a 8 graus de latitude Grande
Mais de 8 graus de latitude Muito grande
Mecânica
Ciclones tropicais formam-se quando a eneegia liberada pela condensação da umidade em correntese de ar ascendentes causa uma retroalimentação positiva sobre as águas mornas do oceanos.
A fonte primária de energia dos ciclones tropicais é a liberação do calor de condensação pela condensação do vapor de água em altitudes altas, sendo que o aquecimento solar é a fonte inicial do processo de evaporação. Portanto, um ciclone tropical pode ser visto como uma máquina térmica gigante suportada pela mecânica guiada pelas forças físicas tais como a rotação e a gravidade da Terra. Em outro ponto de vista, ciclones tropicais podem ser vistos como um tipo especial de complexo convectivo de mesoescala, que continua a se desenvolver sobre uma vasta fonte de calor relativo e umidade. A condensação leva a uma maior velocidade do vento, assim como uma ínfima parte da energia liberada é transformada em energia mecânica.
Os ventos mais fortes e a baixa pressão atmosférica associadas, por suas vezes, aumentam a evaporação de superfície e, portanto, ainda mais condensação. Uma boa parte da energia liberada ascende, o que aumenta a altura das nuvens da tempestade, acelerando a condensação. Isto provê ao sistema energia suficiente para que o ciclone seja auto-sustentável e causa uma retroalimentação positiva que continua até que o ciclone extraia toda a reserva de calor disponível, as águas quentes do oceano. Fatores tais como uma contínua ausência de equilíbrio na distribuição de massas de ar daria também energia de suporte ao ciclone. A rotação da Terra faz que o sistema gire, um efeito conhecido como força de Coriolis, dando-lhe uma característica ciclônica e afetando a trajetória da tempestade.
O que distingue primariamente um ciclone tropical de outros fenômenos meteorológicos é a convecção profunda como força motriz. Sendo a convecção mais forte em clima tropical, define o domínio principal do ciclone tropical. Em contrapartida, ciclones extratropicais obtêm a maior parte de sua energia em gradientes de temperatura pré-existentes na atmosfera. Para continuar a conduzir a sua máquina de calor, um ciclone tropical deve continuar sobre águas mornas, que provê a umidade atmosférica necessária para manter a retroalimentação positiva em funcionamento. Como resultado, quando um ciclone tropical passa sobre terra, é interrompido o fornecimento de calor e umidade e a sua força diminui rapidamente.
A passagem de um ciclone tropical sobre o oceano pode causar o resfriamento substancial das camadas superiores do oceano, o que pode influenciar posteriormente o desenvolvimento do ciclone. O resfriamento é causado principalmente pela ressurgência das águas das profundezas do oceano, por causa ao vento que atinge a própria tempestade induz sobre a superfície do mar. Resfriamentos adicionais podem vir na forma de água fria das chuvas causadas pelo ciclone. A cobertura de nuvens também pode desempenhar um papel no resfriamento do oceano, por impedir a chegada dos raios solares antes ou ligeiramente depois da passagem da tempestade. Todos estes efeitos podem combinar-se para produzir uma queda dramática na temperatura da superfície do mar sobre uma grande área em apenas alguns dias.
Cientistas no Centro Nacional para Pesquisas Atmosféricas dos EUA estimam que um ciclone tropical libera energia térmica à taxa de 50 a 200 exajoules (1018 J) por dia. Isto é aproximadamente 1 PW (1015 watts). Para fins de comparação, esta quantidade de energia liberada equivale a 70 vezes o consumo humano mundial de energia (e 200 vezes a capacidade de geração de energia elétrica mundial) ou também como se explodisse uma bomba nuclear de 10 megatons a cada 20 minutos.
Embora o movimento das nuvens mais evidentes seja em direção ao centro do sistema, os ciclones tropicais também desenvolvem fluxos externos de nuvens em altos níveis (alta atmosfera). Estes se originam do ar que libera a sua umidade e é expelido para altas altitudes através da "chaminé" da "maquina da tempestade". Este fluxo externo produzem altas nuvens tipo cirrus tênues que se espiralam e distanciam-se do centro. Estes altos cirrus podem ser os primeiros sinais da aproximação de um ciclone tropical.
Gráfico mostrando a queda da temperatura da superfície no Golfo do México após a passagem dos furacões Katrina e Rita
Mapa mindial dos caminhos de todos os ciclones durante 1985 a 2005. O Oceano Pacífico a oeste da linha Internacional de Data mostra a maior parte da formação de ciclone tropical do que qualquer outra bacia, enquantoque no Atlântico Sul praticamente não há ativdade tropical.
Formação
Períodos
Mundialmente, a atividade de ciclones tropicais atinge o seu pico no final do verão, quando a diferença entre a temperatura ambiente e a temperatura da superfície do mar é a maior. No entanto, cada bacia em particular tem seus próprios padrões sazonais. Numa escala mundial, Maio é o mês menos ativo enquanto Setembro é o mês mais ativo.
No Oceano Atlântico norte, uma temporada de furacões distinta ocorre entre 1º de Junho a 30 de Novembro, sendo que o pico de atividade ocorre no final de Agosto e por todo o mês de Setembro. O pico estatístico de uma temporada de furacões no Atlântico ocorre em 10 de Setembro. O Oceano Pacífico nordeste possui um período maior de atividade, mas num intervalo de tempo similar ao Atlântico. No Oceano Pacífico noroeste, ciclones tropicais ocorrem durante todo o ano, com atividade mínima em Fevereiro e Março e com atividade máxima no começo de Setembro. Na bacia do Oceano Índico norte, as tempestades são mais comuns entre Abril e Dezembro, com picos de atividade em Maio e Novembro.
No hemisfério sul, a atividade de ciclones tropicais começa no final de Outubro e termina em Maio. O pico de atividade de ciclones tropicais no hemisfério sul ocorre em meados de Fevereiro e no começo de Março.
Movimento e trajetória
Correntes de vento
Embora ciclones tropicais sejam sistemas de grande escala que geram grandes quantidades de energia, seus movimentos sobre a superfície da Terra são controlados por ventos de grande escala - os fluxos de ventos na atmosfera terrestre. A trajetória de movimento é referida como o "caminho" do ciclone tropical e foi comparada pelo Dr. Neil Frank, ex-diretor do Centro Nacional de Furacões, como sendo "folhas sendo carregadas ao longo de um riacho".
Os ciclones tropicais, embora localizados geralmente entre a linha do Equador e o paralelo 20° norte ou sul, são levados primariamente para oeste por ventos de leste-para-oeste na periferia equatorial da alta subtropical – uma persistente área de alta pressão sobre os oceanos.
No Atlântico norte tropical e no Pacífico nordeste, ventos alísios – outro nome para os ventos que vão de leste para oeste – levam ondas tropicais para oeste, da costa da África até o Mar do Caribe, América do Norte e por último para o Pacífico centro-norte antes das ondas perderem sua umidade. Estas ondas são as precursoras de muitos ciclones tropicais nestas regiões. No Oceano Índico e no Pacífico noroeste (tanto ao norte como ao sul destes oceanos), o ciclogênese tropical é fortemente influenciado pelo movimento sazonal da zona de convergência intertropical e de cavados de monção, mais do que a influência de ondas orientais
Imagem de satélite no canal infravermelho do mostrando o ciclone Monica, perto de seu pico de intensidade, mostrando a rotação horária causada pelo efeito Coriolis
Dissipação
Fatores
A tempestade tropical Franklin, um exemplo de ciclone tropical sendo afetado por fortes ventos de cisalhamento na bacia do Atlântico durante 2005.Um ciclone tropical pode perder suas características por meio de vários modos diferentes. Quando o ciclone tropical move-se sobre terra, ele mesmo priva-se da água morna que ele precisa para fortalecer a si mesmo. A maioria das tempestades fortes perde sua força muito rapidamente após o landfall e tornam-se áreas de baixa pressão desorganizadas dentro de um dia ou dois, ou tornam-se ciclones extratropicais. Enquanto que há uma chance de um ciclone tropical se regenerar se ele conseguir recordar sobre águas mornas abertas, há a chance dele permanecer sobre áreas montanhosas, mesmo por pouco tempo, e perder sua estrutura. Muitas fatalidades causadas pela tempestade ocorrem em terrenos montanhosos quando a tempestade agonizante despeja chuvas torrenciais, levando a enchentes e deslizamentos de terras potencialmente mortíferas, de forma semelhante àquelas que aconteceram com o Furacão Mitch em 1998. Além do mais, a dissipação pode ocorrer se a tempestade permanecer na mesma área por muito tempo, misturando as águas dos primeiros 30 metros a partir da superfície com as águas das profundezas. Isto ocorre porque o ciclone faz com que as águas das profundezas do mar subam para a superfície através da ressurgência e isto causa o esfriamento da superfície do mar, não mais suportando a tempestade. Sem águas mornas, a tempestade não pode sobreviver.
Um ciclone tropical pode dissipar-se quando se move sobre águas com temperaturas significativamente menores do que 26,5°C. Isto causará a tempestade a perder suas características tropicais (ou seja, tempestades e trovoadas próximas ao centro e ao núcleo morno) e torna-se uma área de baixa pressão remanescente, que pode persistir por vários dias. Este é o mecanismo principal no Oceano Pacífico nordeste. O enfraquecimento ou a dissipação pode ocorrer se o ciclone experimentar ventos de cisalhamento verticais, causando o afastamento das áreas de convecção e da máquina de calor do centro do sistema; isto normalmente cessa o desenvolvimento de um ciclone tropical. Além do mais, a sua interação com as correntes principais de ventos ocidentais, por meio de sua fusão com uma zona frontal pode causar a evolução dos ciclones para ciclones extratropicais. Esta transição pode levar de um a três dias. Mesmo se for dito que um ciclone tropical tornou-se um ciclone extratropical ou dissipou-se, ainda pode ter ventos com força de tempestade tropical (ou ocasionalmente ventos com força de furacão/tufão) e produzir vários milímetros de precipitação acumulada. No Oceano Pacífico e no Oceano Atlântico, tais ciclones derivados de ciclones tropicais em latitudes altas podem ser violentos e podem continuar ocasionalmente com ventos equivalentes a de furacões/tufões quando eles alcançam a costa oeste da América do Norte. Estes fenômenos também podem afetar a Europa, onde eles são conhecidos como tempestades de vento européias; os remanescentes extratropicais do furacão Iris são um exemplo de tempestade de vento em 1995. Além disso, um ciclone pode fundir-se com outra área de baixa pressão, tornando-se uma área de baixa pressão maior. Isto pode fortalecer o sistema resultante, embora ele não seja mais considerado um ciclone tropical.
Dissipação artificial
Nas décadas de 1960 e 1970, o governo dos Estados Unidos tentou enfraquecer os furacões através do Projeto Stormfury por semear tempestades selecionadas com iodeto de prata. Pensava-se que a semadura causaria a sobrefusão nas bandas de tempestade externas a congelar, causando a parede do olho interna a colapsar e deste modo reduzir os ventos. Os ventos do furacão Debbie – um furacão semeado no Projeto Stomfury – caíram mais de 30%, mas Debby recuperou sua força após as duas semaduras, fortalecendo-se após cada ataque. Num episódio anterior, em 1947, um desastre aconteceu quando um furacão a leste de Jacksonville, Flórida, mudou sua trajetória rapidamente após ter sido semeado e atingiu Savannah, Geórgia. Como havia muita incerteza sobre o comportamento destas tempestades, o governo federal dos Estados Unidos não iria mais aprovar operações de semeadura até que o furacão ter uma chance inferior a 10% de fazer landfall dentro de 48 horas, reduzindo grandemente o número de tempestades em que fosse possível realizar testes. O projeto foi retirado depois que foi descoberto que os ciclos de substituição da parede do olho ocorrem naturalmente em furacões fortes, lançando dúvidas sobre os resultados das tentativas anteriores. Hoje, sabe-se que a semeadura por iodeto de prata não tem, provavelmente, efeito, pois a quantidade de água em sobrefusão nas bandas de chuva do ciclone é muito baixa.
Outros meios foram sugeridos ao longo do tempo, incluindo o esfriamento das águas sob um ciclone tropical por rebocar icebergs até as águas trópicas. Outras idéias vão desde a cobertura dos oceanos com substâncias que inibem a evaporação
soltando grandes quantidades de gelo no olho nos primeiros estágios de desenvolvimento (de modo que o calor latente é absorvido pelo gelo, em vez de ser convertido em energia cinética que alimentariam a retroalimentação positiva) ou explodir o ciclone com armas nucleares. O Projeto Cirrus tinha como objetivo jogar gelo seco em um ciclone. Todas estas tentativas sofrem de uma falha acima de muitas outras: ciclones tropicais são simplesmente muito grandes para qualquer técnica de enfraquecimento ser prática
A tempestade tropical Franklin, um exemplo de ciclone tropical sendo afetado por fortes ventos de cisalhamento na bacia do Atlântico durante 2005.
Efeitos
Ciclones tropicais em mar aberto causam grandes ondas, chuvas e ventos fortes, perturbando a navegação internacional e, às vezes, provocando naufrágios. Ciclones tropicais causam a agitação no mar, deixando um rastro de água fria atrás deles, que deixam a região menos favoráveis para ciclones tropicais posteriores. Em terra, ventos fortes podem danificar ou destruir veículos, edifícios, pontes e outros objetos, transformando detritos soltos em projéteis voadores mortais. A maré ciclônica, ou o aumento no nível do mar devido ao ciclone, é titpicalmente o pior efeito de ciclones tropicais que fazem landfall, resultando historicamente em 90% das mortes provocadas por ciclones tropicais. A grande rotação de um ciclone tropical em landfall e os ventos de cisalhamento em sua periferia, gera tornados. Tornados podem ser gerados como um resultado dos mesovórtices da parede do olho, que persistem até o momento do landfall.
Nos dois últimos séculos, os ciclones tropicais têm sido responsáveis por cerca de 1,9 milhão de mortes em todo o mundo. Grandes áreas de água parada causadas pela enchente levam a infecções, bem como doenças provocadas por mosquito. A lotação de desabrigados em abrigos aumentam o risco da propagação de doenças. Ciclones tropicais causam danos significativos a infra-estruturas, levando a interrupção do fornecimento de eletricidade, a destruição de pontes e dificultam os esforços de reconstrução.
Embora ciclones tropicais matem muitas pessoas e causem danos a bens pessoais, podem ser fatores importantes no regime de precipitação de lugares em que afetam, pois podem trazer a precipitação muito esperada para regiões secas. Ciclones tropicais ajudam também no equilíbrio de calor mundial por mover ar tropical morno e úmido para latitudes médias e regiões polares. A maré ciclônica e os ventos dos furacões podem ser destrutivos à construções, mas podem agitar a água dos estuários costeiros, que são normalmente importantes para os locais de reprodução de peixes. A destruição por ciclones tropicais incentiva o redesenvolvimento, aumentando grandemente os valores das propriedades locais.
Gulfport, Mississippi, após a passagem do furacão Katrina. Katrina foi o ciclone tropical mais custoso na história dos Estados Unidos
fonte:http://pt.wikipedia.org/wiki/Ciclone_tropical