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MALÁRIA

CATÁSTROFES > PRAGAS


A malária é causada pelo parasita "Plasmodium", um protozoário que pode ser de quatro tipos diferentes e é transmitido pela picada de qualquer uma das 60 espécies de mosquito do gênero Anopheles.O parasita se aloja nas células do fígado e nos glóbulos vermelhos do sangue, onde se reproduz. A doença causa febre intermitente, anemia, crescimento do baço e calafrios, podendo levar à morte.

A incidência mundial de malária em 1975 era duas vezes e meia maior do que em 1961, quando se achava em pleno andamento uma campanha financiada pelos Estados Unidos para a erradicação da doença no planeta. Durante esse período o número de casos na Índia passou de um milhão para seis milhões, e na China de um milhão para nove milhões.

A malária é considerada atualmente como uma das principais doenças infecciosas do mundo, estimando-se em um bilhão e 800 milhões o número de pessoas expostas à ela, na zona intertropical do globo. Na década de 70 as notificações anuais da doença em todo o mundo não passavam de 60 mil; na década de 90 estavam em torno de 600 a 700 mil casos.

Em agosto de 1997, numa conferência sobre a malária realizada na Índia, os especialistas informaram que o número de casos da doença havia quadruplicado nos últimos cinco anos, estimando-se em 500 milhões o número de portadores da doença e em 3 milhões o total de mortes anuais. As drogas disponíveis estavam se mostrando ineficazes. Em abril daquele ano, cientistas do Instituto Pasteur (França), do Instituto Nacional de Saúde (EUA) e do Conselho Britânico de Pesquisas Médicas, já haviam feito um alerta contundente sobre a expansão da doença. Num artigo publicado na revista Nature, eles afirmaram que "a malária ameaçava a África e poderia se espalhar de forma incontrolável pelo mundo."

A malária é uma doença essencialmente tropical. No Brasil, em agosto de 1994 cerca de 800 índios estavam contaminados, de um total de 1.200 de algumas tribos do Vale da Javari, no Amazonas. Naquele ano foram computados em todo o país 562 mil casos de infecção com dois mil óbitos1. Um número que chama ainda mais a atenção se levarmos em conta que em 1983 houve 297 mil casos, e que em 1960 a doença era praticamente inexistente. Em junho de 1997 começaram a surgir casos de malária no estado do Rio de Janeiro, depois de 29 anos da última ocorrência registrada. Nos primeiros dois meses de 1998 verificava-se o maior surto de malária entre os agrupamentos de índios Ianomâmi, com mais de 400 casos. O pesquisador Carlos Marcondes estima que atualmente (1998) o número de casos anuais no país gire em torno de um milhão.

Apesar de tropical, a malária tem aparecido ultimamente também em países europeus, inquietando os patologistas daquele continente, em especial na Inglaterra. A doença já irrompeu também na Bélgica, França e Holanda; até a Suíça já registrou uma morte por malária.

Entre 1988 e 1990 surgiu uma variedade nova e letal da doença : a malária cerebral. A Dra. Laurie Garret narra esse acontecimento: "Atingiu adultos no leste e centro da África. Os indivíduos com algum grau de imunidade adquirida na infância, ao se tornarem jovens adultos, repentinamente eram tomados por febre e crises de demência produzidas pela infecção causada pelo parasita no cérebro. A rapidez da instalação da doença e da morte era impressionante." Em 1993, a Associação Americana para o Progresso da Ciência divulgava a situação no continente: "A malária cerebral agora é considerada responsável por uma taxa de mortalidade de mais de 20% dos casos de malária, até nas áreas urbanas."

O fato mais preocupante, porém, é que o parasita mais perigoso dos quatro tipos que causam a doença, o Plasmodium falciparum vem apresentando uma grande resistência à medicação tradicional, a tal ponto que foi considerado por um grupo de clínicos como "um dos dez microrganismos que mais tem resistido aos medicamentos disponíveis." Recentemente pesquisadores britânicos e americanos descobriram que essa espécie do protozoário possui genes que lhe permitem modificar a superfície das células infectadas, impedindo a sua destruição pelo organismo. Logo após, pesquisadores da Universidade de Oxford descobriram que diferentes cepas do parasita trabalhavam juntas para enfrentar o sistema imunológico da pessoa infectada, num processo chamado de antagonismo cruzado. Segundo eles, esta é a causa de a doença ser tão difícil de tratar.

Em 1994, a malária já estava também completamente fora de controle na Ásia, e na África as notícias não eram melhores. Em agosto de 1995, o teste com uma vacina experimental em Gâmbia, que era a grande esperança da OMS, apresentou um índice de proteção de apenas 3%. Em dezembro de 1997, o Quênia foi atingido por uma variedade da doença que matou 143 pessoas em três meses; a violência do surto e dos sintomas foi tão intensa que no início imaginou-se tratar de uma nova epidemia do vírus Ébola. Em fevereiro de 1998 registrou-se 35 mil novos casos de malária no Quênia, enquanto que um outro tipo de malária, resistente a medicamentos, matava 1.500 pessoas em 15 dias; no início de abril, pelo menos 300 pessoas morreram no espaço de duas semanas em três distritos do país usualmente não endêmicos para a doença...

Atualmente há uma preocupação de que o efeito estufa, provocando um aquecimento planetário contínuo, leve a doença para regiões em que ela ainda é completamente desconhecida, onde as populações não possuam imunização natural. O descongelamento dos picos montanhosos em todo o mundo (mencionado no tópico Clima) significa também a destruição de uma barreira natural à passagem de microorganismos, o que favorece o surgimento de epidemias. Em 1988 houve uma epidemia de malária numa região de Madagascar que até então nunca havia sido atingida pela doença. Foram registrados 100 mil casos com 20 mil mortes, um índice muito superior à média normal de letalidade da doença






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