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Profecias de Jesus Cristo

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PROFECIAS DE NOSSO SENHOR JESUS CRISTO


“Tu és Pedro e sobre esta pedra edificarei a minha Igreja, e as portas do Inferno não prevalecerão contra ela. Eu te darei as chaves do reino dos céus; e tudo o que ligares sobre a terra, será ligado também nos céus; e tudo o que desatares sobre a terra, será desatado também nos céus" (Mt. 16, 18-19).

Aqui Nosso Senhor Jesus Cristo estabelece a Autoridade Máxima, sobre a qual Ele irá edificar a sua Igreja: nasce aqui o Papado.

Logo em seguida Jesus anuncia a guerra que o Inferno moverá contra a sua Igreja, que será violentíssima e movida por Satã, em pessoa, e suas legiões de anjos caidos e pelos ímpios pecadores.

Essa guerra durará até o Fim do Mundo, e Cristo Jesus será o vencedor.

"Porque o Filho do homem há de vir na glória de seu Pai com os seus anjos, então dará a cada um segundo as suas obras´. (Mt. 16, 27).

Jesus fala de sua Segunda Vinda, que será Gloriosa e na presença de seus Anjos. Ele virá para premiar os bons e castigar os maus. Resta-nos saber quando Ele virá.

A resposta a esta questão pode ser encontrada na Profecia de São Nilo, Eremita do Século V, que veremos logo mais.

"Estando sentado sobre o monte das Oliveiras, aproximaram-se d´Ele seus discípulos à parte, dizendo: Dize-nos quando sucederá isto, e qual será o sinal da tua vinda e do fim do mundo?" (Mt. 24, 3).

Uma das coisas que devemos ter sempre em mente, ao ler os Evangelhos, é que Jesus Cristo é Deus e Homem verdadeiro, e que seus Apóstolos e Discípulos sabiam disso. Ora, por ser Deus, Ele tinha uma Inteligência Infinita, que compreendia o presente, o passado, o futuro e todas as coisas de modo absoluto.

Sabendo disso e tendo fé na sua Onisciência, eles aproximam-se d´Ele para saber o que irá acontecer.

Eles perguntam quando Cristo virá pela segunda vez, e quando será o fim do mundo.

Este texto trata, pois, da antiqüíssima e angustiante questão de toda a cristandade, ou seja: da Parusia.

Vejamos qual foi a resposta que Cristo deu a esta questão.

“Respondendo Jesus, disse-lhes: Vede que ninguém vos engane. Porque virão muitos em meu nome, dizendo: Eu sou o Cristo, e seduzirão muitos.” (Mt. 24, 4-5).

Eles perguntam e Jesus responde Profetizando: Lembrem-se de que é Deus quem está falando, e que, portanto, as suas palavras revelam como as coisas são realmente.

Aqui Cristo não imagina, nem supõe nada, mas afirma exatamente aquilo que Ele vê e compreende com sua Inteligência Infinita, que pode penetrar a História e desvendar os acontecimentos futuros até o fim do mundo.

Ele começa por descrever os sinais que precederão aquele grande dia. Mas Ele, antevendo e antedizendo, começa alertando para que tomemos cuidado com os “falsos profetas" e “falsos doutores", “hereges" e “falsos pastores”, que precederão aquele grande dia.

O surgimento de “falsos pregadores" é o primeiro sinal que Cristo dá de sua segunda vinda.

Ele disse: "Virão muitos em meu nome". Resta-nos saber o que significa agir em nome de Cristo.

Ora, vir em nome de Cristo significa ser enviado por Ele, ou seja: significa receber aquela Ordem que Ele deu a seus a seus Apóstolos, de pregarem o Evangelho a todos os povos. Esta Ordem passou de Cristo aos Apóstolos, e de seus Apóstolos a seus legítimos Sucessores.

Vir falsamente em nome de Cristo significa pregar o Evangelho em desacordo formal com a Igreja de Cristo, e esta é uma atitude dos hereges e dos cismáticos; significa, ainda, pregar o Evangelho fora da Igreja de Cristo, e essa é a atitude das seitas cristãs, ou do Protestantismo em geral.

Literalmente falando, este primeiro sinal começou a realizar-se no século XVI, com Martinho Lutero, e perdura até nossos dias com a proliferação das seitas cristãs.

Neste sentido é necessário incluir também o movimento modernista, introduzido no seio da Igreja, e que não deixa de ser uma seita, e que faz de Bispos e Sacerdotes pregadores de doutrinas diferentes daquelas que a Igreja sempre ensinou.

São Pio X excomungou esse movimento na Encíclica “Pascendi Domini Gregis" (1907).

Portanto, o modernismo e o protestantismo realizam, ao pé da letra, este primeiro sinal dado por Nosso Senhor. São sinais predecessores da Parusia.

Esta profecia prova, pois, que o Catolicismo constitui a verdadeira Igreja de Cristo, e que somente os Bispos e Sacerdotes formam a congregação dos verdadeiros e legítimos pastores da Igreja de Cristo.

“Porque ouvireis falar de guerras e de rumores de guerras. Olhai, não vos perturbeis; porque importa que estas coisas aconteçam, mas não é ainda o fim." (Mt. 24, 6).

Guerras e rumores de guerras existiram sempre, desde a princípio do mundo, e este é o segundo sinal que precederá a Segunda Vinda Cristo a esta terra.

As guerras, naturalmente, causam enorme pânico nas pessoas, mas Nosso Senhor Jesus Cristo exorta a não temermos “os que matam o corpo, e não podem matar a alma” (Mt. 10, 28), mas que devemos temer a Deus que, por causa de nossos pecados, “pode lançar na geena a alma e o corpo". (Mt. 10, 28).

No tempo das guerras Nosso Senhor quer que vençamos a Besta “pelo sangue do cordeiro e pela palavra de seu testemunho”(Ap. 12, 11), ou seja, que confessemos os nossos pecados, ao Padre, e que demos testemunho do Evangelho.

No tempo das guerras nós não devemos temer nada, porque “se Deus é por nós, quem será contra nós?” (SP).

Para que vocês tenham uma idéia de como a palavra de Deus é infalível, relato o seguinte milagre, que mostra claramente como Deus salva aqueles que crêem n´Ele.

Conta-se que quando Hiroshima foi aniquilada pela primeira bomba atômica, só um lugar foi singularmente preservado. Até agora, todos os 16 membros daquele lugar estão vivos, ainda que todas as pessoas dentro de uma milha do centro daquela explosão estejam mortas!

Uma daquelas 16 pessoas é o Padre Humberto Schiffer, O Padre Schiffer disse que centenas de “experts” e investigadores, ao longo dos anos, estudaram aquela casa, buscando o que tinha de diferente já que estava só a oito quadras do centro da explosão! E ele afirmou que só uma coisa a distinguia: que naquela casa, vivia-se a mensagem de Nossa Senhora de Fátima, rezando o rosário em família todos os dias!" (Revista Estrela, p. 32, mar. 1991, México).

Este formidável milagre mostra o porque não devemos temer a guerra, ou seja, prova a infalível eficácia das palavras de Deus, que disse: “Então acontecerá que todo aquele que invocar o nome do Senhor, será salvo” (Atos 2, 21).

Resta-nos, agora, saber quando a profecia de Nosso Senhor sobre as “guerras” e "rumores” de guerras iriam se realizar.

Essa profecia tem profunda relação com a de Nossa Senhora de Fátima, ao falar sobre a Rússia, na segunda parte do terceiro segredo.

Uma consideração mais atenta sobre as palavras dessa profecia leva a percepção de uma previsão extraordinária que Cristo faz sobre a invenção dos meios de comunicação. Ele disse que as pessoas ouviriam noticias de guerras e de rumores de guerras. Ora, são os meios de comunicação que fazem noticiários sobre guerras. Logo, Cristo profetizou a invenção da imprensa falada e escrita.

Sem os meios de comunicação nós levaríamos vários meses, ou até mesmo anos, para receber a notícia de que a Iugoslávia estaria em guerra, por exemplo.

Portanto, o “progresso” tecnológico seria também um sinal de que estaríamos vivendo os tempos em que as profecias de Nosso Senhor estariam se realizando ao pé da letra. Neste sentido essa profecia está de acordo com a de São Nilo, Eremita do século V, que pré-anunciou a invenção dos meios de comunicação, do avião e do submarino como sinais precursores da vinda do Anticristo e da Parusia.

Só no século XX o mundo seria capaz de ouvir, de uma hora para outra, notícias de guerras e de rumores de guerras. Portanto, este é o século da Parusia.

“Porque se levantará nação contra nação, e reino contra reino, e haverá fomes, pestilências e terremotos em diversos lugares. Todas estas coisas são o princípio das dores.” (Mt. 24, 7-8).

Muitos interpretam que aqui Nosso Senhor profetizou uma guerra mundial, ou geral, e nós já passamos por duas grandes guerras, que foram a 1ª e a 2ª guerra mundial.

Todos, agora, temem uma terceira guerra mundial, que pode extinguir por completo a vida sobre a terra.

As “fomes”, as “pestilências" e os "terremotos”, indicam a enormidade dos sofrimentos que teremos que passar.

As “fomes” já existem em diversos lugares pela seca, carestia, desempregos e falta de alimentos (seca no Brasil e miséria na índia); as "pestilências” também já estão aí, como por exemplo a AIDS, o Cólera, o Ebola, etc.; os "terremotos" igualmente já os temos, como o de Kóbi, no Japão, etc.

Nosso Senhor disse que estas coisas seriam o "princípio das dores”, como que indicando dores ainda maiores do que estas.

Mas, existem sofrimentos maiores do que estes? Que quis dizer Nosso Senhor com estas palavras? Quais são as dores ainda piores que esperam as pessoas naqueles dias que virão ou que já são?

Para sabermos quais são as dores ainda piores é preciso considerar o seguinte: As desgraças que Jesus descreve ali, são conseqüências dos pecados dos homens. Ora, o pecado é a causa do sofrimento neste e no outro mundo. Portanto, "guerras", “fomes", "pestilências" e "terremotos" são desgraças causadas pelos nossos pecados, que levarão as pessoas, caso não se convertam, a sofrimentos ainda maiores, que seria o fogo do Inferno.

Para livrar as pessoas do século XX e XXI da condenação eterna, Nossa Senhora, em pessoa, apareceu em Fátima, e indicou o caminho que devemos seguir, se quisermos ser salvos.

Lá Ela mandou rezar o terço todos os dias, e a não ofender mais a Deus Nosso Senhor.

Quando Ela disse: "Não ofendam mais a Deus", repetiu o que disse Cristo para a mulher pecadora: “Vai, e não peques mais", ou seja, convida os pecadores a lutarem contra os pecados da carne que, segundo revelou Ela à Jacinta, são “os que mais almas levam para o Inferno”.

Nessa profecia das guerras Nosso Senhor Jesus Cristo profetizou, de forma implícita, uma espantosa crise de fé e de moral, que seria a maior e a mais grave de todos os tempos.

As guerras são efeitos de uma causa. Ora, o "esquecimento de Deus” (Oséias, 4) é a causa das guerras. Logo, o abandono das práticas religiosas, que significa o esquecimento de Deus, é a causa das guerras.

Só quem não pratica mais a fé, ou que deixa Deus para segundo plano, é que pode esquecer de Deus. Portanto, na profecia das guerras, Jesus profetizou também uma profunda e gravíssima crise de fé.

“Então sereis sujeitos às tribulações e vos matarão, e sereis odiados por todas as gentes por causa do meu nome. E muitos então se escandalizarão, e uns aos outros se entregarão e se odiarão.” (Mt. 24, 9-1 0).

Para que esta profecia se cumpra, ao pé da letra, é preciso que os cristãos sejam valentes, e que não tenham medo de professar a sua fé: é a guerra já anunciada no Proto-Evangelho, entre os “filhos da Mulher” e os “filhos da Serpente”.

Os cristãos estão calados, estão com medo de falar, de professar a sua fé! A propaganda anticristã é muito maior que a propaganda cristã! Deus quer a propaganda cristã a "tempo e fora de tempo", com toda a “paciência e doutrina".

Deus quer que os cristãos dos “últimos tempos" sejam imitadores dos Mártires do começo da era cristã.

É preciso ser valente na guerra! Infelizmente os cristãos estão covardes e calados! Eles estão respeitando os inimigos da Fé! Que a impiedade dos ímpios não faça os cristãos ficarem calados!

Vamos fazer propaganda da fé Católica, como, onde e quando pudermos! Vamos rezar pela nossa conversão e pela conversão dos pecadores! Vamos lutar por Deus, com ousadia, desafiando a morte, o ódio, a dor!"

Não temer nada! É isto que Deus quer de nós!

“Levantar-se-ão muitos falsos profetas, e seduzirão a muitos.” (Mt. 24, 11).

Profeta, como vimos, quer dizer “falar em nome de outro”, e aqui significa aquele que fala em nome de Cristo. Ora, para falar em nome de Cristo, é preciso ser enviado por Ele, ou seja, receber a Ordem que Cristo deu aos Apóstolos, e estes aos seus legítimos Sucessores.

Os Sucessores dos Apóstolos são os Bispos. Para que alguém seja Bispo ou Sacerdote é preciso ser investido deste poder pela imposição das mãos, conforme a Escritura e a Tradição, ou seja, receber do Bispo o poder que receberam dos Apóstolos, e estes de Jesus.

A profecia fala, portanto, de falsos enviados, de falsos bispos, de falsas igrejas, de falsos místicos, de crise de fé e de moral.

Esta profecia testemunha que só a Igreja Católica é a Igreja de Nosso Senhor Jesus Cristo, porque antes dela não existia nenhuma outra. As outras surgiram depois.

“Levantar-se” significa investir a si mesmo de um poder que não tem. Significa proclamar-se profeta, pastor ou pregador, sem ser enviado por Cristo.

É preciso entender bem, porque a simples leitura da Bíblia não transforma ninguém em profeta, pastor, pregador, ou bispo. A leitura da Bíblia pode converter alguém, mas não pode dar “poderes”, ou o múnus ou a missão de ensinar.

Um exemplo bem claro e atual de falso profeta é o fundador da igreja “Universal do Reino de Deus", o “pastor” ou “bispo” Edir Macedo. Todos os fatos indicam que esta profecia realizou-se com a revolução protestante, que seduziu ou conquistou muitos católicos.

Mas a causa da deserção de muitos católicos para as mais diversas seitas, é uma profunda e gravíssima crise de fé e de moral que sofre a Igreja de Cristo nestes últimos tempos.

O protestantismo é uma crise de fé que milita contra o catolicismo à margem, ou fora da Igreja, e faz de seus pastores os “falsos profetas” dos “últimos tempos", e de seus fiéis verdadeiras “vítimas” de seus enganos.

Mas no interior da Igreja há um outro erro; que gerou e promoveu a maior e mais grave crise de fé de todos os tempos, e este erro chama-se modernismo.

O modernismo transformou muitos Sacerdotes em falsos profetas.

O Papa São Pio X lançou a pena de Excomunhão "Latae Sententiae" contra os modernistas e suas teses.

Por causa de se multiplicar a iniqüidade, se resfriará a caridade de muitos." (Mt. 24, 12).

Iniqüidade é uma palavra que vem do latim ("in + aequalia") e significa “desigualdade” (“in = não + aequalia = igual”). Aqui seria a desigualdade na relação dos cidadãos, a desproporcionalidade do bem comum, onde uns têm demais, e outros de menos. Seria o convívio social baseado não na honra, ou na honestidade, mas nas paixões ignóbeis.

Iniqüidade significa a relatividade da justiça e do bem comum. A Constituição do Estado Federal diz que a “Lei é para todos”, sem “distinção de qualquer natureza”, baseando-se no princípio da eqüidade.

A iniqüidade dá-se, por exemplo, na aplicação da lei, quando é rigorosa para alguns e mitigada para outros.

Matar é pecado para a Religião e crime para o Estado. Segundo a Constituição Federal, todos têm “direito à vida”, e isto é lei baseada no “principio de eqüidade”.

Mas, o Estado cai em contradição e na iniqüidade quando permite a “Legalização do aborto” que, segundo eles, seria utilizada só para casos de extrema necessidade, tais como vítima de estupro e risco de vida para a mãe. Cai na iniqüidade e na contradição porque esta permissão viola, e de forma hedionda, o direito que o feto (criança) tem de viver, nascer, crescer, e ser feliz. Este é apenas um exemplo, entre tantos, de iniqüidade. É claro que a questão e muito mais ampla e complexa.

Segundo o texto, a crise de caridade tem a sua causa na iniqüidade. O mundo precisa de caridade, sem a caridade o Inferno começa já neste mundo! A miséria que existe hoje no mundo inteiro, principalmente no Brasil, é porque falta a caridade dos santos nas pessoas, em suma: falta a Fé e o amor a Deus.

A Bíblia descreve as conseqüências que a rejeição de Deus provoca na sociedade, tais como: “a maldição e a mentira, o furto e o roubo e o adultério, tudo inundam”. (Oséias 4,1-2).

Como você pode ver, essas coisas não são coisas boas. Não é nada gostoso conviver com essas coisas que tiram a paz e a tranqüilidade de qualquer um. E o nosso século, por ter rejeitado aquela fé simples e pura em Deus, se tornou assim, do jeito que está escrito ali.

Quanto maior for o conhecimento de Deus pelas pessoas, maior será a tranqüilidade e a pa.

A mentira, a cupidez, o furto e o roubo, não são males reprovados só por Deus e pela Igreja: são males que todas as pessoas reprovam, porque ninguém gosta de ser tratado de forma iníqua. Portanto, Deus está a favor do homem, quer o bem do homem.

Quem lê a profecia de Nosso Senhor pode perguntar o seguinte: Quando acontecerá a crise de caridade?

Jesus não revelou o tempo, mas descreveu apenas os sinais que acontecerão naquele tempo; já a São Nilo, Deus revelou não só os sinais daquele dia, mas também a época, que seria meados do século XX.

Logo mais adiante vocês poderão comparar a profecia de São Nilo com as de Nosso Senhor, e notar a maravilhosa identidade que há entre elas.

“Mas o que perseverar até o fim, esse será salvo”. (Mt. 24, 13).

Estas palavras indicam uma profunda crise de fé, que se dará nos fins dos tempos, que culminará numa apostasia quase geral.

“Perseverar” é um termo que significa permanecer firmes na fé.

“Perseverar” vai muito mais além de “não cair em pecado”, significa, no seu sentido mais profundo, “não cair no desespero”.

Estas palavras indicam que quem pecar deve fazer como o “filho pródigo” do Evangelho, ou seja, deve voltar-se para Deus, e isto significa permanecer até o fim na esperança de ser salvo por Deus.

Cair em pecados significa ser ferido pelo inimigo na guerra, mas o pecador que reza, não deixa de lutar e por isso permanece na esperança, que é o mesmo que permanecer na fé.

O Sacrossanto Concílio Tridentino ensina que “a fé não deixa de ser verdadeira em que cometeu o pecado”, por isso, a fé, como virtude teologal, existe tanto no justo como no pecador, com a diferença de que é viva no justo e morta no pecador.

Portanto, em primeiro lugar, e de um modo geral, “perseverar até o fim” significa permanecer na Doutrina de fé e moral que se apóiam nas Tradições multiseculares da Igreja; em segundo lugar significa rezar e rezar sempre, em todas as situações, seja qual for o estado de alma que alguém se encontre, porque só não tem salvação aquele que Deus mata imediatamente depois do pecado, ou aquele que morre “sem esperança no Sangue” (revelação de Deus Pai à Sta. Catarina de Sena), porque o “desespero é o pecado que não tem perdão: nem aqui, nem no além” (Idem).

“Perseverar até o fim” significa permanecer no Catolicismo e não cair no Protestantismo, nem no Modernismo, nem no Mundanismo, e nem no Desespero.

Segundo o que fala Cristo, aqui, muitos, ou a maioria, no final dos tempos, romperiam com a fé e com a sã doutrina.

Resta-nos saber quando esta profecia viria realizar-se. Ele não diz quando será, mas dá apenas os sinais que indicarão estes tempos.

Contudo, é possível conhecer o tempo desta profecia por meio de outras profecias, tais como a de São Nilo, que veremos mais adiante.

“Será pregado este evangelho do reino por todo o mundo, em testemunho a todas as gentes; e então chegará o fim.” (Mt. 24, 14).

Aqui Nosso Senhor Jesus Cristo fala que quando o mundo todo conhecer o Evangelho, então se dará o fim.

Estas palavras são de difícil interpretação, porque a fama de Cristo pode ser conhecida de dois modos: por pregação ou por propaganda.

A profecia fala que o Evangelho será pregado a todos, não fala, porém, que será aceito por todos.

Trata-se, pois, de uma reação dos cristãos que permanecerão fiéis na época da apostasia.

Quando os “Apóstolos dos Últimos Tempos” saírem à luz, como o que Nossa Senhora da Salette, se dará a batalha decisiva. E a reação dos ímpios ao apostolado dos “Apóstolos dos últimos tempos” será igual àquela dos judeus contra o Proto-Mártir
Santo Estevão (Atos 7, 54-60).

Diante da firme negativa em aceitar o Evangelho, que será pregado pelos fiéis dos últimos tempos, e por causa da perseguição dos maus contra os bons, quando tudo estiver completo, então Deus, infinitamente justo, acabará, definitivamente, com a “raça da serpente”, como os ímpios.

É neste sentido que virá o fim, depois do apostolado geral.

O Concílio Vaticano II, com o seu Ecumenismo e com a sua Liberdade Religiosa, atrasou o trabalho missionário da Igreja: é a crise de fé que vem de cima!

Muitos, porém, apoiados em alguns “místicos”, entendem que as palavras desta profecia se realizam na pessoa do Papa João Paulo II que, por meio de suas viagens, sai por todo o mundo a pregar o Evangelho do reino. Outros, no entanto, não aceitam esta interpretação, porque a Liturgia, por meio da qual o Papa faz a pregação, foi violada desde o Concílio Vaticano II para cá.

Eu, porém, faço a seguinte distinção: estou plenamente de acordo que a Liturgia que foi violada, e concordo que o Papa João Paulo II pode estar realizando as palavras desta profecia, porque a Liturgia que ele usa, embora violada, proclama as palavras do Evangelho, ou seja, em todas as Missas que ele celebra, nestas suas viagens, é feita a leitura do Evangelho, que é também transmitida a todos os povos da terra pelos meios de comunicação. Mas é preciso entender bem, não são os meios de comunicação que proclamam o Evangelho, e sim o Papa que prega por meio deles.

“Quando, pois, virdes a ‘abominação da desolação’ que foi predita pelo profeta Daniel, ´posta no lugar santo´ - o que lê entenda - então os que se acham na Judéia, fujam para os montes; o que se acha sobre o terraço, não desça para tomar coisa alguma de sua casa, e o que está no campo, não volte atrás para tomar o seu manto. Ai das mulheres grávidas e das que tiverem crianças de peito naqueles dias! Rogai para que não seja a vossa fuga no inverno, ou em dia de sábado; porque então será grande a ´tribulação’, como nunca foi, desde o principio do mundo até agora ‘nem jamais será.’” (Mt. 24, 15-21).

Aqui Nosso Senhor Jesus Cristo faz referência ao profeta Daniel, que disse, entre outras coisas, o seguinte: “no meio da semana fará cessar a hóstia e o sacrifício; estará no templo a abominação da desolação; e a desolação durará até a consumação e até o fim". (Dan. 9, 27).

Esta profecia tem profunda relação com a profecia de Lerida, com a de São Nilo, e com a de Nossa Senhora de Fátima.

Santo Afonso de Ligório diz que esta profecia anuncia que no final dos tempos o Santo Sacrifício da Missa cessaria. Portanto, estas palavras são terríveis, pois revelam o ódio e a guerra que o Inferno e os ímpios moverão contra o Sacrifício do Altar e contra o Santíssimo Sacramento.

A "hóstia" é o Santíssimo Sacramento do Altar, o próprio Cristo Jesus; o “sacrifício” é a Santa Missa, com todas as suas orações, cerimônias e rituais.

A profecia fala, portanto, da profanação da Missa e da Hóstia; fala que no final dos tempos não haverá mais missas válidas.

Quem celebra a Missa é o Sacerdote, e para que um sacerdote celebre a missa de forma inválida necessita de três coisas:

1ª) Que ele não seja legítimo;

2ª) Que a matéria (pão e vinho) e a forma (as palavras, da consagração) não sejam as instituídas por Nosso Senhor, ou seja: que o pão não seja pão, que o vinho não seja vinho, e que as palavras da consagração não sejam as mesmas que Cristo instituiu;

3ª) Que ele não tenha a intenção de fazer o que faz a Igreja.

A Igreja ensina que faltando um destes três elementos a missa se torna inválida e sem efeito (Carta Aberta aos Católicos Perplexos, de Mons. Marcel Lefebvre, p. 20).

Mas, para que um Sacerdote chegue a esse ponto de ter a audácia de modificar a matéria, a forma e a intenção do Sacrifício, é preciso que ele não tenha mais aquela fé pura e simples em Cristo e na Igreja.

A profecia fala, pois, de uma terrível crise de Fé nos Sacerdotes e pessoas consagradas a Deus; crise tão terrível e tão abominável, que fará as pedras e o mármore chorarem lágrimas de sangue!

Nosso Senhor fala para fugirmos dessa crise, correndo "para os montes".

São Gregório Magno, o Papa vidente, no seu comentário sobre o anticristo, ensina que “montes”, aqui, significam os Santos da Igreja, que são os baluartes da Fé Católica.

Portanto, segundo São Gregório Magno, no tempo da crise, ou da “abominação da desolação”, devemos nos refugiar nos Santos Canonizados, ou seja, crer e fazer o que eles criam e faziam.

Amar a Cristo do jeito que eles amavam; crer a Cristo do jeito que eles creram; adorar a Cristo do jeito que eles adoravam; receber a Cristo na Eucaristia do jeito que eles o recebiam; seguir a mesma missa que eles seguiram.

Prestem bem a atenção nessa profecia, porque quem chamou essa crise de “abominável" foi Jesus Cristo, em pessoa, e Ele é Deus.

Nós não conseguimos compreender a gravidade dessa crise, só Deus pode compreender! E quando Ele chama uma coisa de “abominável" é porque essa coisa é abominável mesmo, com todo o rigor da palavra. É Deus quem vê e fala!

Vamos consolar ao nosso Bom Deus, permanecendo fiéis a tudo aquilo que Ele nos ensinou!

Defender a Missa e a Hóstia é coisa tão grande, mas tão grande, que a beleza e a grandeza desta luta só será conhecida no céu!

Assim como é impossível conhecer a beleza do Céu, e o fogo do Inferno, a não ser pela experiência, do mesmo modo é impossível conhecer, agora, o valor, o mérito, e a enormidade da grandeza de lutar em defesa da Missa, da Hóstia, e do Sacerdócio!

Vocês conhecerão a gravidade dessa profecia ao ler trecho excerto da profecia de Lerida.

Nosso Senhor falou que essa crise ou “Tribulação" será a “última". Portanto, a guerra do inferno contra a Missa, a Hóstia e o Sacerdócio, será a batalha final e decisiva!

“Se não se abreviassem aqueles dias, não se salvaria pessoa alguma; porém, serão abreviados aqueles dias em atenção aos escolhidos. (Mt. 24, 22).

“Aqueles dias”, de que fala Nosso Senhor, são os dias da “grande tribulação”, o “final dos tempos”, ou o final do império do “Anticristo”.

1ª) Nosso Senhor “abreviaria” os “dias” ou por protelação, adiando o castigo final, para dar “tempo” das pessoas se arrependerem de seus pecados e se salvarem do fogo do Inferno;

2ª) Ou por antecipação, adiantando o castigo, para que os convertidos, ou escolhidos, não sejam seduzidos e arrastados pela grande onda de pecados que assolará a terra naqueles dias;

3ª) Ou por diminuição, diminuindo o tempo e a intensidade dos castigos e das desgraças que se sucederão naqueles dias.

Nosso Senhor fala que a crise de Fé e de Moral serão tão grandes, mas tão grandes, que se não se “abreviassem”, pessoa alguma se "salvaria", como que indicando a extensão da onda de crimes e pecados que destruirão a sociedade do final dos tempos.

Portanto, o pecado, ou o “esquecimento” de Deus (Oséias, 4), será geral, atingirá todos os povos, e todas as pessoas ofenderão a Deus. Para que “pessoa alguma” não se salve, é preciso que elas estejam em estado de pecado mortal. Portanto, o final dos tempos será o tempo da apostasia, dos pecados carnais, da impiedade, da corrupção, da sensualidade, e da rejeição a Deus e sua Igreja.

Isto quer dizer que no final dos tempos a Fé e a Virtude serão coisas raras, um privilégio e responsabilidade de poucos!

Para fazermos parte dos "escolhidos" é preciso que nos voltemos para Deus, através de orações e jejuns, confissões e comunhões!

Nossa Senhora entregou a São Domingos de Gusmão a arma que vencerá todas as batalhas! Esta arma é o Santo Rosário!

Portanto, quem quiser salvar a sua alma, deve, antes de tudo, recitar o Santo Rosário ou ao menos o Terço que, segundo afirma São Luiz Grignion de Montfort, salva até mesmo aqueles que se “consagraram ao Demônio”. Isto nos ensina que a nossa esperança não deve esmorecer, que devemos lutar até o fim contra o pecado!

“Quando vier o Filho do Homem, acaso achará fé sobre a terra?” (Lc.18, 8).

Nosso Senhor fala, aqui, de sua Segunda Vinda a esta terra, que será gloriosa.

Fala que uma crise universal de Fé precederá a sua Segunda Vinda.

Quando comparamos estas palavras de Nosso Senhor com a triste situação da sociedade deste século XX, então forçoso é chegar à conclusão de que estes são os tempos anunciados por Ele.

Resta-nos “erguer” nossas “cabeças" e esperar a nossa “libertação” que se aproxima.

Lembrem-se de que quem fala é Deus, e Ele, aqui, não interpreta, nem supõe nada, mas fala aquilo que vê. Portanto, o que Ele disse, realizar-se-á infalivelmente.

Ele é o Médico que, pela profecia, faz o diagnóstico das pessoas que viverão nos séculos XX e XXI.

Nossa atitude perante as profecias de Nosso Senhor deve ser de Fé, Esperança, Amor, Conversão e Oração.

Para que naquele “Grande Dia”, que estamos já vivendo, possamos salvar as nossas almas, e as de nossos irmãos, do terrível fogo do Inferno, é necessário “invocar o Nome do Senhor” (Atos 2, 21), ou seja, “rezar e rezar muitos terços”.

Extraído do livro: Profecias Apocalípticas, do autor Gershonius Silvae

fonte: http://www.portalanjo.com/portal_artigos/inicio.php?secao=materia&id=112

O Drama do Fim dos Tempos - A Crise Final


OITAVO ARTIGO Outubro de 1885 (Pe. Emmanuel)
A CRISE FINAL

Paremos um instante diante dos intrépidos missionários de Deus e notemos a oportunidade divina de sua aparição.

Segundo São Pedro: "nos últimos tempos virão embusteiros, zombadores sedutores vivendo as suas concupiscências, dizendo: Onde está a promessa e a vinda (de Jesus Cristo)? Desde que nossos pais morreram tudo continua como desde o princípio da criação" (2 Pd 3, 3-4).

Esses sedutores, estes embusteiros, os estamos vendo com nossos próprios olhos, ouvindo com nossos ouvidos. Chamam-se racionalistas, materialistas, positivistas: negam, "a priori", toda causa superior, todo fato sobrenatural; não se interessam em saber de onde vêm, nem para onde vão; semelhantes aos insensatos do livro da Sabedoria olham a vida como uma dessas nuvens da manhã que não deixam rastro ao raiar do sol. O que está além do túmulo, chamam o grande desconhecido; recusam-se terminantemente a investigá-lo. Em conseqüência, o todo do homem, a seus olhos, está em gozar o mais possível o momento presente, pois tudo o mais é incerto.

Esses falsos sábios relegam os escritos de Moisés a cosmogonias fabulosas. Recusam-se a reconhecer algum valor histórico nos livros santos. Segundo o que dizem, todos esses documentos, em contradição com a ciência, seriam obras de um judeu exaltado, Esdras, que quis realçar sua nação.

Quanto à vinda de Jesus Cristo, à ressurreição geral, ao julgamento final, às recompensas e às penas eternas, tratam como sonhos absurdos. Asseguram que a humanidade, em via de um indefinido progresso, encontrará um dia o paraíso na terra.

Ora, para confundir esses impostores, Deus suscitará Henoc, representante do período ante-diluviano; Henoc, quase contemporâneo das origens do mundo. Suscitará Elias, representante do judaísmo mosaico; Elias que, de um lado, toca Salomão e David de outro Isaías e Daniel.

Estes grandes homens virão, com indiscutível autoridade, estabelecer a autenticidade da Bíblia, e mostrar que o Cristianismo está ligado à era dos profetas até Moisés e à era dos patriarcas até Adão. Neles se levantarão todos os séculos para renderem testemunho à verdade da revelação. Nunca a divindade do Cordeiro que foi morto desde a origem do mundo (Ap 13, 8) resplandecerá de modo mais fulgurante.

Ao mesmo tempo anunciarão com veemência a aproximação do julgamento. Retomando as palavras de São João, clamarão a todos os confins do mundo: "Fazei dignos frutos de penitência... o machado já está posto à raiz das árvores... Ele tem a pá em sua mão e limpará bem a sua eira, e recolherá o trigo no celeiro mas queimará as palhas em um fogo inextinguível" (Mt 3, 8-13).

Continuando a predição do Eclesiástico, Henoc pregará a penitência às nações, que compreendem todos os povos fora do judaísmo; ele lhes falará com a majestade de um antepassado e lhes fará conhecer e reconhecer Jesus Cristo, o Desejado das Nações.

Elias se dirigirá especialmente aos judeus que esperam Sua vinda; ele se dará a conhecer por sinais de extrema evidência; fará Jesus brilhar a seus olhos, Jesus que é osso de seus ossos e carne de sua carne.

É fora de dúvida que a essas pregações, apesar das ameaças e dos tormentos, seguirão numerosas e estrondosas conversões, principalmente do lado dos judeus; isto está formalmente predito.

As duas testemunhas de Deus pregarão tanto juntas como separadas; e durante três anos e meio percorrerão verdadeiramente a terra toda. Os jornais farão em volta deles a conspiração do silêncio (como em volta dos milagres de Lourdes); mas eles se imporão à atenção do mundo. O Anticristo tentará em vão apanhá-los, pois o fogo devorará quem quer que ouse lhes tocar. Eles passarão com o gládio da justiça de Deus no meio dos homens que vivem no prazer e no deboche; eles os ferirão com chagas horríveis.

No entanto, assim como a missão de Nosso Senhor, a deles terá um tempo determinado. Em dado momento perderão a assistência sobrenatural que os protegia até então. Escutemos São João.

II

"E depois que tiverem acabado de dar o seu testemunho, a fera que sobe do abismo fará guerra contra eles, e vencê-los-á e matá-los-á.

"E os seus corpos ficarão estendidos nas praças da grande cidade, que se chama espiritualmente Sodoma e Egito, onde também o Senhor deles foi crucificado.

"E os homens de diversas tribos, e povos e línguas e nações verão os seus corpos durante três dias e meio; e não permitirão que seus corpos sejam sepultados.

"E os habitantes da terra se alegrarão por causa deles e farão festas e mandarão presentes uns aos outros porque esses dois profetas os tinham atormentado.

"Mas depois de três dias e meio o espírito de vida entrou neles da parte de Deus. E eles puseram-se em pé, e apoderou-se um grande temor dos que os viram.

"E ouviram uma grande voz do céu que lhes dizia: Subi para cá. E subiram ao céu numa nuvem e seus inimigos foram testemunhas disso.

"E naquela mesma hora deu-se um grande terremoto e caiu a décima parte da cidade; e no terremoto morreram sete mil homens e os restantes, atemorizados, deram glória ao Deus do céu" (Ap 11, 7-14).

Que conclusão de uma drama inaudito! Que afirmação do sobrenatural! Os dois profetas se encontrarão em Jerusalém, onde seu Senhor foi crucificado. Participarão das divinas fraquezas de Jesus; como ele serão presos, como ele julgados, como ele atormentados, como ele serão mortos, talvez na cruz.

Pensar-se-á que chegou o fim. O Anticristo parecerá triunfar em toda a linha. Zombarão dos dois profetas: rirão e dançarão em torno de seus cadáveres; deixá-los-ão sem sepultura para se regalarem à vontade.

Mas de repente os dois profetas ressuscitarão; uma grande voz soará do alto do céu e eles subirão ao céu diante de uma multidão inumerável tomada de súbito terror. Haverá um grande terremoto na cidade deicida; sete mil homens perderão a vida, outros baterão no peito e darão graças a Deus.

Repetimos, que drama, que desenlace!

O que fará o Anticristo diante de tais prodígios? Espumará de raiva, sentirá que tudo lhe escapa, que a hora da justiça está próxima.

Pode-se acreditar que nesse mesmo instante surgirá sua punição prescrita por São Paulo: "Jesus Cristo o matará com o sopro de sua boca e o destruirá pelo brilho de sua vinda" (3 Ts 2, 8).

No entanto, segundo os cálculos de Daniel, parece que o castigo do monstro será atrasado trinta dias depois da assunção triunfante de Henoc e Elias. Daniel diz que a partir da supressão do sacrifício perpétuo, quando aparecerá a abominação da desolação, passarão 1.290 dias (Dn 12, 11), por conseqüência 30 dias mais do que o tempo da pregação de Henoc e de Elias.

Durante esses intervalo, o Anticristo tentará de todo jeito retomar a influência perdida. Não queremos admitir nenhuma visão no âmbito deste relato; se fazemos exceção para a de Santa Hildegarda sobre o fim do inimigo de Deus é porque não passa de um comentário da palavra de São Paulo: Jesus o matará com o sopro de sua boca!

A Santa vê em espírito o monstro, cercado de seus oficiais e de imensa multidão, subir uma montanha. Chegando ao cume, anuncia que vai elevar-se nos ares. Foi elevado, com efeito, como Simão o mágico, pelo poder do demônio. Mas nesse momento reboa um forte trovão e ele cai fulminado. Seu corpo se decompõe na mesma hora e exala um fedor intolerável e todos fugirão apavorados.

Assim, ou de maneira análoga, acabará o inimigo de Deus.

E seu imenso império se evaporará como uma fumaça. O mundo se sentirá aliviado de um peso esmagador. E haverá uma conversão geral que no dizer de São Paulo parecerá uma ressurreição. Disso falaremos no próximo artigo.

NONO ARTIGO

novembro 1885

A CONVERSÃO DOS JUDEUS

A Santa Escritura nos assinala um grande acontecimento que se nos mostra entrelaçado na guerra que o Anticristo desencadeará contra a Igreja: a conversão dos judeus.

Deixamos este assunto de lado até aqui para tratá-lo com mais detalhes. Além disso, aqui ele estará muito bem colocado, pois a conversão dos judeus nos é apresentada como fruto da pregação de Elias.

I

O povo judeu é o ponto em torno do qual gira a história da humanidade. Ele recebeu o toque de Deus na pessoa de Abraão de onde saiu. É, antes da vinda de Nosso Senhor, o povo sacerdotal por excelência, cujo estado, no testemunho de Santo Agostinho, é inteiramente profético; dele nasceu a Santíssima Virgem e o Salvador do mundo; ele formou o núcleo da Igreja nascente. Todos esses privilégios fazem da raça judia uma raça excepcional cujos destinos são misteriosos.

Por uma inversão estranha e lamentável, no momento em que ela produz o Salvador do mundo, a raça eleita, a raça bendita entre todas merece ser condenada. Recusa reconhecer, em sua humildade, Aquele em quem ela não sabe adorar as grandezas invisíveis. Parece que Deus quis mostrar assim que não há nada da carne e do sangue na vocação do cristianismo, já que aqueles mesmos a quem pertencia o Cristo, segundo a carne (Rm 9, 5), são rejeitados por causa de seu orgulho tenaz e carnal.

Será uma condenação definitiva? Permanecerão presas de Satã excluídos do resto do mundo pela cruz do Senhor? Deus não permita! Deus prepara supremas misericórdias para o povo que foi seu. A esse povo, a quem foi dito: "Não sois mais meu povo", será dito um dia: "Vós sois os filhos do Deus vivo". (Os 3, 4-5). Depois de ter ficado longos anos sem rei, sem príncipe, sem sacrifício, sem altar, os filhos de Israel procurarão o Senhor seu Deus; e isso acontecerá no fim dos tempos. (Id. III, 4, 5)

Elias será o instrumento dessa volta maravilhosa. "Eu vos enviarei, diz o Senhor em Malaquias, o profeta Elias, antes que venha o grande e terrível dia do Senhor. E ele voltará o coração dos pais para os filhos, o coração dos filhos para os pais" (Ml 4, 5-6).

Quer dizer, restabelecerá a harmonia dos mesmos amores, das mesmas adorações entre os santos antepassados do povo judeu e seus últimos descendentes.

São Paulo insiste por sua vez sobre esse acontecimento tão consolador. Ele vê na condenação dos Judeus a causa ocasional da vocação dos Gentios. Depois acrescenta: "Porque eu não quero, irmãos, que vós ignoreis este mistério, que uma parte de Israel caiu na cegueira até que tenha entrado a plenitude das nações e então todo Israel se salve" (Rm 11, 25).

Tal é o desígnio de Deus. É preciso que toda a gentilidade entre na Igreja; e que, quando terminar o desfile das nações, Israel entre por sua vez. Este será o grande jubileu do mundo; a graça se espalhará por torrentes. Tomando as profecias ao pé da letra, todos os judeus que então estiverem vivos, ainda que numerosos como as areias do mar, serão salvos até o último (Rm 9, 27).

Para compreender os frêmitos profundos que esse grande acontecimento fará correr pelo mundo, é preciso usar as figuras proféticas pelas quais Deus houve por bem anunciá-lo.

O povo judeu entrando na Igreja, é Esaú se reconciliando com Jacob. Com que ternura! "Correndo ao encontro de seu irmão, Esaú abraçou-lhe o pescoço e beijando-o, chorou".

Mas é sobretudo José reconhecido por seus irmãos que é o verdadeiro símbolo de Jesus reconhecido por seus irmãos, os judeus! Outrora venderam-no e crucificaram-no e agora uma imperativa necessidade de verdade e de amor leva-os a seus pés no fim dos tempos. Que encontro! Que espetáculo! Jesus, com todo o brilho de seu poder, desvendando aos judeus os tesouros de seu coração, e lhes dizendo: "Eu sou José, eu sou Jesus a quem vós vendestes!" (Gn 45).

Abri enfim o Evangelho, na página do filho pródigo (Lc 15). Esse pródigo que vem de tão longe são os pobres gentios entrando na Igreja. Os judeus são representados pelo filho mais velho, ciumento, egoísta, que se obstina em permanecer de fora porque seu irmão foi recebido em casa. O pai sai e lhe faz instantes rogos, coepit illum rogare. Esse desnaturado recusa escutar o pai; mas por fim o escutará, entrará e essa entrada trará alegria dobrada à casa paterna.

Não, não se pode imaginar qual será a alegria da Igreja quando ela abrir seu seio de mãe aos filhos de Jacó. Não se pode imaginar as lágrimas, os transportes de amor destes quando for retirado o véu de seus olhos, reconhecerem seu Jesus. Qual será o momento preciso deste grande acontecimento? Esta é a dificuldade. Sem pretender resolvê-la, esperamos esclarecê-la um pouco.

II

Segundo a tradição, parece certo que o Anticristo será de nacionalidade judia. Ele aparecerá como o produto desta fermentação de ódio que há séculos exaspera o coração dos judeus contra Jesus, seu terno irmão, seu incomparável amigo. Também parece certo que os judeus, em boa parte, acolherão esse falso messias seguindo-o em cortejo e lhe submetendo o mundo pela má imprensa e pela alta finança.

Mas desde o tempo que precederá o homem do pecado, se formará entre os judeus uma corrente de adesão à Igreja! Os grandes acontecimentos têm prelúdios que os anunciam.

São Gregório declara que o furor da perseguição do Anticristo cairá principalmente sobre os judeus convertidos a quem ninguém igualará na constância em suportar todos os ultrajes e todos os tormentos pelo nome mil vezes bendito de Jesus.

Esta passagem de São Gregório é muito importante para ser omitida.

O grande papa explica uma das grandes profecias em ação de Ezequiel (Ez 3). É um drama em três atos. 1°) Deus ordena que o profeta saia para o campo; esta saída representa a difusão do Evangelho entre os gentios. 2°) Manda que volte para casa, onde é atado com cadeias, aprisionado e reduzido ao silêncio: isso indica como o Evangelho será pregado pelos judeus aos próprios judeus, dos quais alguns se converterão, outros prenderão os pregadores e os oprimirão com maus tratos, durante a perseguição do Anticristo. 3°) Deus aparece, abre a boca do profeta que fala com mais força do que nunca; é o que acontecerá na vinda de Elias que, com suas pregações inflamadas e irresistíveis, converterá os restos de sua nação (In Ezeq. lib I, hom XIII).

Não nos cansamos de admirar a lucidez profética de São Gregório. Ele distingue de antemão as fases do grande acontecimento que nos ocupa: cisão do povo judeu em duas partes, opressão dos convertidos pelos refratários, conversão total operada por Elias.

O santo Papa assegura, em seus comentários sobre Jó, que esta volta definitiva dos restos de Israel será feita diante dos próprios olhos e a despeito da raiva do Anticristo (Mor. lib XXXV e XIV). Se a Igreja goza de semelhantes consolações debaixo do fogo da perseguição, qual não será esse gozo na hora do triunfo! É o que vamos considerar rapidamente.

III

Deus emprega anjos maus para destruições necessárias. O Anticristo, a seu modo e sem o querer, será a vara de Deus.

Esta vara de ferro pulverizará os cismas, as heresias, as falsas religiões, os restos do paganismo, o maometismo e o próprio judaísmo: ela esmagará o mundo em favor de uma prodigiosa unidade.

Quando esse colosso de impiedade for abatido pela pedrinha, esta se tornará uma montanha imensa e cobrirá a terra; o Evangelho, não tendo mais nenhuma sorte de obstáculo, reinará sem contradição sobre o universo inteiro.

Os judeus serão os primeiros operários desse estabelecimento do reino de Deus. São Paulo se extasia diante das grandes coisas que resultarão de sua conversão. "Se o pecado dos judeus foi a riqueza do mundo e a sua redução a riqueza das nações quanto mais sua adesão total? ... se sua perda é a reconciliação do mundo o que será a sua entrada na Igreja senão uma ressurreição?" (Rm 11, 12, 15). Tememos enfraquecer estas antíteses enérgicas, comentando-as. É legítimo concluir que os judeus convertidos porão a serviço da Igreja um inestimável ardor de proselitismo. Rejuvenescida por essa infusão de vida, a Igreja sairá das garras da perseguição como de um túmulo, e tomará posse do mundo com a majestade de uma rainha e a ternura de uma mãe.

Serão esses acontecimentos o prelúdio imediato do último julgamento ou a aurora de uma nova era? Falaremos sobre as conjecturas que se pode formular sobre esta questão.
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