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CORAÇÃO X EMOÇÃO

RELACIONAMENTO

Muitas vezes o sujeito que suspeita de problemas cardíacos é submetido a uma série de exames e, ao final destes, o médico cardiologista constata que ele “não tem nada”. O sujeito se pergunta: como eu não tenho nada, se sinto tudo isso? Os sintomas, como palpitação, dores no peito, falta de ar, tonturas e até mesmo desmaio evidenciam que há algo errado. No entanto, esse “algo” não é uma alteração passível de ser observada por meios de exames porque não se situa no âmbito orgânico. Situa-se no âmbito emocional ou ainda na interface entre o psíquico e o somático (orgânico).



Todas as sensações e percepções que sentimos fisicamente são acompanhadas de reações emocionais, assim como o inverso. É fato conhecido de todos que determinados estados emocionais se refletem no corpo pela aceleração dos batimentos cardíacos.



Ainda que os caminhos e os modos através dos quais a emoção repercute no coração continuem discutidos, é sabido que situações geradoras de ansiedade e de estresse estimulam a produção de determinados hormônios e de neurotransmissores que atuam no sistema cardiovascular, com aumento dos batimentos cardíacos, elevação da pressão arterial, entre outros sinais e sintomas.



Essas reações ocorrem também em animais, uma vez que o processo emocional exerce fundamentalmente uma função informativa ou sinalizadora das experiências que ele vive, revelando as possíveis ameaças à sua sobrevivência. Dessa forma, um animal que viva uma experiência ameaçadora reage fisiologicamente, apresentando respostas rápidas e preparando seu corpo para correr ou lutar. Nessa situação as sensações desagradáveis são associadas ao agente causador da ameaça, de forma que ele aprenda a evitar situações semelhantes no futuro.


No ser humano, por acréscimo, existem ainda outros aspectos. Um deles se refere à capacidade que o humano tem de colocar os sentimentos em palavras, ou seja, relatar sua experiência emocional e representá-la psiquicamente por meio de símbolos (palavras). E outro, não menos importante, é o fato do mundo psíquico humano abrigar além das memórias de experiências reais, também todo um conjunto de situações imaginárias, muitas delas como ameaças inconscientes.



Esse mundo interno, imaginário, passa a ser também uma fonte de estímulos, informações e solicitações que se somam às do ambiente, podendo se constituir em um arcabouço de satisfações ou de ameaças, conforme a associação feita durante as experiências passadas, principalmente as infantis. Dessa foram, diante de sintomas de cardiopatias que não são acompanhados por alterações orgânicas, o que se entende por “não ter nada” é não ter algo físico, mas sim, estar apresentando reações frente às emoções, de forma que, descartada a presença de alterações orgânicas o tratamento indicado é a psicoterapia, na qual o sujeito passa a dar novos significados às suas experiências e emoções, de forma a poder modificar a reação subseqüente, frente às ameaças reais ou imaginárias, bem como acessando alguns conteúdos inconscientes que estão por trás de tais processos.



fonte:www.wmulhwer.com.br


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