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Cuidados de enfermagem para adultos com HIV/SIDA

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CUIDADOS DE ENFERMAGEM PARA ADULTOS COM DOENÇAS RELACIONADAS COM HIV/SIDA


O atendimento dispensado a uma pessoa, com qualquer doença relacionada com o HIV, deve ser o mesmo dispensado a qualquer doente. Consequentemente, todas as enfermeiras/parteiras estão capacitadas para atender pacientes com doenças relacionadas com o HIV, já que os princípios do tratamento são os mesmos. Além do mais, os problemas de saúde resultantes da infecção pelo HIV, já são familiares às enfermeiras, devido a sua experiência e conhecimento no tratamento de doenças crónicas e progressivas. O uso de medidas profiláticas para o controle da infecção é fundamental no cuidado e prevenção do HIV (folheto 11).
A maioria, senão todas as pessoas infectadas desenvolverão doenças relacionadas com o HIV e SIDA. No entanto, o desenvolvimento da doença dependerá do tipo, da virulência do HIV e de algumas características do hospedeiro. No início, o HIV infecta tanto o sistema nervoso central como o periférico, causando uma variedade de problemas neurológicos e psiquiátricos. Conforme a progressão da doença e o comprometimento do sistema imunológico, os indivíduos tornam-se mais vulneráveis às infecções oportunistas. Infecções oportunistas são aquelas que invadem o organismo quando o sistema imunológico não está funcionando adequadamente.

As infecções oportunistas incluem:
Tuberculose
Outras doenças sexualmente transmissíveis (DSTs)
Septicemia
Pneumonia (normalmente pneumociste carini)
Infecções fúngicas recorrentes na pele, boca e garganta
Outras doenças de pele
Febre de origem obscura
Meningite

Outras condições podem incluir:
Câncer, como o sarcoma de Kaposi
Diarreia crónica com perda de peso (conhecida como “doença do emagrecimento”)
Quando uma doença relacionada com o HIV se manifestar, muitos adultos já estarão ciente de seu estado e já terão realizado exames de sangue para a detecção do HIV. No entanto, em muitos casos, o exame não é realizado. Razões para que o exame de sangue não tenha sido realizado incluem: medo, estigma, factores psicossociais, falta de disponibilidade do teste ou falta de orientação adequada para a realização do exame voluntário.
Fazendo o diagnóstico de SIDA onde não existem exames
A definição de SIDA é feita na presença de pelo menos, 2 sinais maiores e pelo menos, 1 sinal menor da doença.

Sinais Maiores

  • Perda de peso superior a 10% do peso corporal em um período curto de tempo
  • Diarreia crónica por mais de 1 mês
  • Febre prolongada por mais de um mês


Sinais Menores

  • Tosse persistente por mais de um mês (não considerar se a pessoa estiver com tuberculose)
  • Prurido e exantema generalizado
  • História de herpes zoster nos últimos 2 anos
  • Infecção fúngica na boca e/ou garganta
  • Aumento generalizado dos linfonodos


Nota: a presença de sarcoma de Kaposi ou de meningite criptocócica é suficiente para definir um caso de SIDA.


HIV e Tuberculose: A epidemia dupla


Ao contrário do vírus HIV, a tuberculose pode disseminar-se através do ar e contaminar pessoas HIV negativas. Esta é a única infecção oportunista relacionada com a SIDA que apresenta este tipo de risco. Por causa dos efeitos do HIV no sistema imunológico, estima-se que as pessoas contaminadas pela tuberculose e infectados pelo HIV, têm de 30 a 50 vezes mais probabilidade de desenvolverem tuberculose activa, do que aquelas sem o HIV. Nos próximos quatro anos, calcula-se que a disseminação do HIV será responsável por mais de 30 milhões de novos casos de TB no mundo. As drogas para o tratamento da tuberculose são tão eficazes nos indivíduos infectados pelo HIV como naqueles não infectados e acredita-se no benefício do custo/efectividade desse factor, mesmo nos países mais pobres. DOTS é um programa de tratamento supervisionado com o uso de drogas especificas durante um período curto de tempo e que mostrou ter um enorme benefício relacionado com o custo/efectividade para o tratamento da tuberculose (folheto 13)
Este programa, existe na maioria dos países do mundo, e acredita-se que tenha curado 95% dos casos de tuberculose. Alem disto, deve-se considerar a terapia preventiva com isoniazida para indivíduos
infectados com HIV em risco de desenvolver TB, tais como aqueles vivendo em comunidades com alta incidência de TB. Protocolos para a prevenção da TB são actualmente disponíveis em muitos países. Verifique as normas de seu país no Ministério da Saúde ou na Secretaria de Saúde local.

Infecções oportunistas e tratamentos mais comuns


Na maioria dos casos, o médico fará o diagnóstico de uma infecção oportunista e instituirá o tratamento. Contudo, é útil para as enfermeiras e parteiras estarem familiarizadas com a conduta terapêutica mais comum, no caso de infecções relacionadas com o HIV. Deve-se considerar drogas específicas para as doenças relacionadas com HIV, ao invés de medicamentos usados para outros problemas de saúde tais como tuberculose, outras doenças respiratórias e diarreia crónica. Por exemplo, um doente HIV positivo, que está recebendo tratamento para a TB, não deve ser medicado com Thiacetazone (uma droga usada em muitos países para o tratamento da TB), pois poderá causar uma forte reacção em pessoas com o HIV. A terapia antiretroviral (se disponível) pode provocar reacções, se administrada com outras drogas. É importante certificar-se de que uma droga prescrita para um paciente não reagirá com outras drogas que já estão sendo administradas.
A lista do tratamento médico apresentado aqui é muito superficial e é aconselhável consultar outras fontes farmacológicas como o Manual “Standard treatments and essencial drugs for HIV-related conditions” (WHO DAP/97,9). Outros recursos úteis podem incluir o Programa Nacional de controle da SIDA e as directrizes nacionais para o tratamento de infecções oportunistas do Ministério da Saúde de seu país.

Tuberculose: Isoniazida (para prevenção) e rifampicina, pirazinamida, estreptomicina, etambutol (para tratamento, ver programa DOTS (folheto 13).
Outras doenças sexualmente transmissíveis (DSTs): antibióticos, agentes anti-fúngicos, violeta de genciana, anti-virais (tópico, oral). O tratamento dependerá do diagnóstico.

Septicemia: antibióticos
Pneumonia (normalmente Pneumocyste carini): Requer um tratamento complexo. A primeira escolha no tratamento é normalmente sulfametoxazol + trimetoprim (que também pode ser usada como profilaxia). Tratamentos subsequentes podem incluir pentamidina, prednisolona, dapsona, eflornithina, e metilprednisolona. Pneumonias simples são tratadas com antibióticos.

Infecções fúngicas recorrentes na pele, boca e garganta: Aplicação de violeta de genciana, iodopolividona e lavar a boca com clorexidina e comprimidos anti-fungícos.

Outras doenças da pele: Calamina, esteroides tópicos, antibióticos orais ou tópicos.

Febre de origem obscura: Aspirina ou paracetamol

Diarreia crónica com perda de peso
(conhecida como doença do emagrecimento): loperamida, difenoxilato.

Meningite: antibióticos

Terapia antiretroviral (ARV)

ARV é um tratamento caro e inacessível para muitos pacientes vivendo com o HIV/SIDA, em todo o mundo. No entanto, mesmo onde a terapia ARV é encontrada e disponível, é necessário seguir alguns protocolos. Uma publicação conjunta da Organização Mundial de Saúde e UNAIDS “Guidance Modules on antiretroviral treatments” (WHO/ASD/98.1 & UNAIDS/99.7) fornece alguns procedimentos e normas básicas.

Os requisitos mínimos para introduzir ARV incluem:

• Disponibilidade de realização de exames confiáveis e de baixo custo para o diagnóstico da infecção pelo HIV.
• Acesso a orientação confidencial e exames de sangue voluntário.
• Suprimentos regulares, confiáveis e de longa duração de drogas de qualidade.
• Recursos suficientes para arcar com as despesas de medicamentos por um longo período de tempo (a vida toda).
• Apoio de rede social para ajudar os pacientes vivendo com o HIV/SIDA, a prosseguirem com o regime de tratamento.
• Treinamento apropriado para os profissionais de saúde, sobre o uso correcto do ARV.
• Laboratórios para monitorizar as reacções adversas
• Capacidade para diagnosticar e recursos para tratar as infecções oportunistas com drogas acessíveis e de preço moderado.
• Acesso a serviços de saúde funcionais (e de baixo custo).
• Tomadas de decisão em conjunto entre os profissionais de saúde e os pacientes em todos os aspectos do tratamento com ARV (incluindo a decisão de iniciar o tratamento).

Cuidados básicos de enfermagem para pacientes vivendo com o HIV/SIDA com infecções oportunistas


Controle da infecção:
Manter boa higiene. Lavar as mãos antes e depois de cuidar do paciente. Certificar-se de que a roupa da cama foi lavada com água e sabão. Incinerar o lixo ou utilizar recipientes à prova de vazamentos para descartá-lo. Evitar o contacto com sangue e outros líquidos orgânicos e lavar as mãos imediatamente após o manuseio de material contaminado.

Problemas dermatológicos:
Lavar as feridas abertas com água e sabão e manter a área seca. Utilizar pomadas ou unguentos conforme a prescrição médica. Remédios locais, óleos ou loções de calamina também podem ser eficazes.

Boca e garganta sensíveis:
Lavar a boca com água morna e uma pitada de sal, pelo menos 3 vezes ao dia. Comer alimentos macios e sem temperos fortes.

Febre e dor:
Lavar o corpo com água fria e compressas limpas ou esfregar a pele com uma compressa húmida. Beber mais líquidos do que o normal (água, chás, caldos ou sucos). Retirar roupas pesadas ou cobertores. Usar antipiréticos e analgésicos tais como aspirina, paracetamol, etc.

Tosse:
Apoiar a cabeça e a parte superior do corpo com travesseiros para facilitar a respiração ou ajudar a pessoa a sentar-se. Colocar o paciente onde ele/ela possa receber ar fresco. Vaporizadores, humidificadores e oxigénio podem ser úteis.

Diarreia:
Tratar imediatamente para evitar a desidratação usando hidratação por via oral ou terapia intravenosa, se necessário. Assegurar que o paciente beba bastante líquidos e que continue a ingerir uma alimentação de fácil digestão. Lavar o ânus e a região perineal com água morna e sabão, após cada evacuação e manter a pele seca e limpa. Os antibióticos usados para tratar outras infecções podem piorar a diarreia. Lavar sempre as mãos e se possível utilizar luvas ao manusear fezes e material contaminado.

Nutrição:
Sempre que possível, insistir numa alimentação rica em gorduras e proteínas pois ajudarão a diminuir a perda de peso.

Remédios locais:
Existem muitos medicamentos regionais e locais que aliviam febre, dor, tosse e limpam feridas e abcessos. Estes remédios podem ser muito úteis no alívio de sintomas associados com as infecções oportunistas. Em muitos países, os curandeiros, as associações de mulheres ou os programas de assistência domiciliar estão reunindo informações sobre os remédios locais que aliviam alguns sintomas e desconforto.

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